A moda masculina transgressora da Givenchy

Matthew Schneier - O Estado de S.Paulo

Na nova loja da grife em Paris, o estilista Riccardo Tisci mostra roupas para homens modernos, que usam terno, mochila de couro e botas militares

Vitrine da loja da Givenchy no bairro do Marais, em Paris

Vitrine da loja da Givenchy no bairro do Marais, em Paris Foto: Damien Lafargue/The New York Times

Deve-se pescar onde há peixe. Por isso, a região do Marais - meca gay de Paris, equivalente em termos demográficos ao Chelsea de Nova York ou ao West Hollywood, em Los Angeles - está repleta de lojas especializadas para atender os homens descolados que lotam suas calçadas. Ao longo da Rue des Archives, por exemplo, há butiques masculinas da Gucci, da Fendi, da Moncher e, no número 13, da Givenchy.

Sob a direção do seu diretor artístico Riccardo Tisci, a Givenchy tornou-se um dos fetiches atuais da moda. Rapazes jovens - e moças também - adoram as estampas agressivas de Tisci (Rottweilers rosnando, Bambis, estrelas e listras em cores às vezes sombrias) e os totens tribais que aparecem nas camisetas e nas bolsas, sapatos e pequenas peças de couro.

Bota na vitrine da Givenchy em Paris 

Bota na vitrine da Givenchy em Paris  Foto: Damien Lafargue/The New York Times

As portas de cobre da loja grife não dão muita indicação das tendências do streetwear de Tisci. Para conhecê-las, os clientes têm de se aventurar a passar pelas caixas de concreto com óculos de sol e joias para entrar em uma sala de azulejos brancos, totalmente iluminada, onde ficam os novíssimos trajes masculinos). Ali, as prateleiras estão repletas de calças com lantejoulas em forma de estrela e peças minúsculas, com os motivos favoritos de Tisci, novos e familiares. Os Rottweilers rosnam na Givenchy desde que o estilista os introduziu em 2011. E também é possível encontrar um par de sandálias de dedo por pouco mais de US$ 200. 

Já o segundo andar da butique se assemelha a um apartamento parisiense chique, com pisos de madeira, lareiras de mármore e móveis Jean Prouvé, incluindo um belo sofá-cama verde. A real força de Givenchy - e da loja que foi inaugurada na primavera - é a maneira como os dois lados se juntam. Tisci imagina o homem Givenchy usando terno com uma mochila de couro preto (um utilitário, mas ao preço de US$ 2.600) e botas militares. 

Ou talvez com um dos brincos que transformou em peça cult, presos por meio de ímã que não exigem orelha furada. Os que apareceram de relance em seus desfiles recentes têm formato de presas como dentes de sabre. E podem ser em strass (US$ 450) e sem adornos (US$ 375). Segundo um sócio da loja, as vendas continuam animadas, o que não é nenhuma surpresa. Eles fundem a história de alta cultura da Givenchy com algo mais agressivo, joias com algo mais.

C’est très Givenchy. 

Tradução de Terezinha Martino

A Givenchy é uma das lojas especializadas em atender os homens descolados que frequentam a região do Marais, meca gay de Paris

A Givenchy é uma das lojas especializadas em atender os homens descolados que frequentam a região do Marais, meca gay de Paris Foto: Damien Lafargue/The New York Times