A Moda e A Cidade: Daniela Bravin fala sobre Higienópolis

Helena Tarozzo - Especial para O Estado de S. Paulo - O Estado de S.Paulo

Dona do restaurante Bravin, a sommelière conta suas preferências no bairro e na cidade de São Paulo

O estilo dela é inconfundível. Cabeça raspada, óculos de armações marcantes, corpo esguio e muitas - muitas mesmo - tatuagens. No braço direito, a frase em latim “In Vino Veritas” dá uma pista: Daniela Bravin é sommelière. E das boas. Há 3 anos ela mantém o Bravin, seu restaurante que tem um menu de pratos simples e gostosos e, claro, uma carta de vinhos da melhor qualidade.

Seu restaurante fica no bairro de Higienópolis, assim como sua casa. Por isso mesmo ela é uma ótima conhecedora das redondezas e prova a todos que esse é um bairro cheio de personalidade, com muita coisa para fazer e, o melhor de tudo, com cara de cidade pequena.

Daniela Bravin em frente ao seu restaurante no bairro de Higienópolis. Foto: Julia Rodrigues

Daniela Bravin em frente ao seu restaurante no bairro de Higienópolis. Foto: Julia Rodrigues Foto: Julia Rodrigues

O que você acha dessa região ter sido apelidada de Consoleta, a exemplo do bairro boêmio Recoleta, em Buenos Aires, que também fica ao lado de um cemitério?

Sinceramente, acho que não tem nada a ver. Até tem um projeto de um urbanista para aumentar a calçada, plantar mais árvores. Mas acho que como está, ainda é muito diferente da Recoleta, em Buenos Aires. Os restaurantes não ocupam tanto o espaço, e a rua não é tão movimentada também. Aliás, isso é a coisa que mais falta em São Paulo, gente na rua.

Você faz alguns eventos aos domingos, em frente ao seu restaurante, e eles dão certo, não?

Dão sim e até tenho a vontade de fazer mais coisa. Uma festa junina talvez, no ano que vem, que reuniria todo mundo. Higienópolis tem esse potencial, as pessoas andam na rua e fazem tudo por perto. Mas falta mais vida, mais boêmia da cidade.

O que você acha de Higienópolis?

É um bairro perfeito, cheio de predicados. Eu moro na rua de trás do restaurante e resolvo bem minha vida por aqui. Tem todo o charme da arquitetura, é bem localizado, perto de tudo.

Para comprar vinhos no bairro, por exemplo, onde você indica?

O supermercado Madrid, é bem legal, tem uma adega ótima, mesmo sendo um supermercado, é com mais variedade que o Pão de Açúcar e a Baccos, que é especializada em vinhos e tem ótimos rótulos. 

Você corta o cabelo nas redondezas?

Sim, na Barbearia do Huguinho, na Rua Sabará. Pago R$ 35 o corte, uso máquina 4 no inverno e 1 no verão.

Numa barbearia? E mais mulheres vão lá?

Nunca vi nenhuma outra (risos), e vou quase toda semana lá para ele passar a navalha e manter o corte.

E comprar roupas, sapatos?

Não dá para fugir muito do shopping (Pátio Higienópolis), não temos boas lojas de rua. Lá compro camisas e calças na Levi’s e na Richards - sou muito básica. Agora, sapatos são minha paixão. Os melhores e mais bonitos são os da Rocco, uma marca italiana que a Sarah Chofakian importa. Na Richards também tem uns legais. E há pouco tempo descobri uma sapataria bem old school, na Rua Barra Funda - mas lá é literalmente voltar para os anos 70, o sapateiro parou no tempo...

E os óculos?

Uma coisa que faço bastante é colocar lente de grau na armação de sol... E a melhor ótica é a Ômega, também em frente ao shopping, e lá indico a vendedora Rosana, super atenciosa, a melhor.

Você tem muitas tatuagens... quantas?

Nossa, perdi a conta. A primeira fiz quando tinha 35 anos, demorei para começar porque queria ter certeza de que elas não iriam atrapalhar mainha carreira. Quando me estabeleci no mercado, decidi que era hora de começar. Já estou com os dois braços fechados, falta só um pedaço.

Você deve ter um tatuador fiel...

Sim, é a Maria Fernanda Brum, ela tem um estúdio na rua Augusta, do lado dos Jardins, chamado Analogic Love. Antes ele era no Tatuapé, mas valia muito ir até lá.

Qual o melhor bar, com a melhor cerveja?

O Ugues, na rua Marquês de Itu. Tomo uma Heineken, acompanhada de bolinhos de bacalhau. Eles são antigos e não perderam em nada na qualidade. A feijoada deles também é ótima... Feijoada tem a do Star City, na Santa Cecília, que é muito boa.

E para tomar um drinque?

O D.O.M, de preferência um Manhattan.

Tem algum samba bom por aqui?

Ah, na Loja a Contemporânea. Eles fazem uma roda de choro incrível. É super tradicional, até a Elis Regina já cantou lá.

E se você tivesse de dar uma dica para algum turista que estivesse visitando a cidade?

Não precisa nem ser de fora... Quando eu era mais jovem, gostava de ficar hospedada em um hotel, o Marian Palace, na Santa Ifigênia, e virava turista na minha própria cidade. Ia comer nos restaurantes do centro e desbravava a região.