A inspiração que vem das redações

Jon Caramanica - O Estado de S.Paulo

Marca nos Estados Unidos usa frases e imagens de jornalistas, blogueiros e diretores de criação para fazer camisetas divertidas

Da esq. para a dir., sátira de Lawrence Schlossman, editor-chefe da Four Pins, Jim Moore, diretor criativo da GQ, é homenageado em camiseta usada por Channing Tatum e t-shirt com estampa de Anna Wintour

Da esq. para a dir., sátira de Lawrence Schlossman, editor-chefe da Four Pins, Jim Moore, diretor criativo da GQ, é homenageado em camiseta usada por Channing Tatum e t-shirt com estampa de Anna Wintour Foto: New York Times

A busca de um estilo para cunhar seu próprio grupo de super-heróis tem sido voraz. Primeiro foram as modelos de longas pernas e inatingíveis. Depois vieram os estilistas, o culto da personalidade com seguidores fervorosos. Mais recentemente são os ícones da moda de rua, pessoas que se inventam diante do espalho toda manhã esperando ser capturadas por uma câmera. Agora, a moda vai ao encontro dos seus cronistas: jornalistas, blogueiros, diretores de criação. Há duas semanas uma marca chamada Baewear inaugurou sua loja online (baewear.bigcartel.com), repleta de camisetas que fazem referência ao humor do hip-hop que dominam as conversas online sobre roupas masculinas e especialmente aquelas que imortalizam algumas das figuras mais expressivas do jornalismo online. 

Um dos primeiros designs, quase todos baseados em fotos, foi de Lawrence Schlossman, editor-chefe da Four Pins, sobre um logo de Saint Laurent modificado para que fosse lido Saint Lawrence. Logo em seguida, Jon Moy, um dos redatores do site, foi fotografado numa pose segurando uma bengala e abaixo um texto da música “Grindin", o hino do tráfico de droga do duo Clipse, trocando “cane” for “caine”.

“Na nossa opinião, tem sentido na mídia social que não haja apenas um nome ou uma voz”, escreveu o representante da Baewear num e-mail. “Vocês são as próprias roupas que vestem, sua fotos no Instagram, suas etiquetas de localização. Todos têm potencial para ser uma marca ou criar um grupo de seguidores interessados num salvo-conduto para ter pleno acesso à sua vida e personalidade."

O representante pediu anonimidade porque as pessoas envolvidas na companhia trabalham todas em empresas de moda conhecidas e “gostamos muito dos nossos empregos”.

“Queríamos um espaço para transformar micromemes em produtos físicos imediatamente”, ele continuou. “Não temos de esperar aprovação ou nos preocupar se os designs estão inseridos numa “imagem de marca” geral antes de colocar numa loja online."

Os jovens jornalistas da moda masculina responderam a esta atenção no geral com timidez, mas também houve um boa dose de reprovação. Jake Gallagher, redator do site A Continuous Lean, enviou mensagem no Twitter dizendo “#StopBaewear” e um dia depois foi recompensado (ou punido) com uma camiseta com sua própria imagem. A loja Baewear acrescenta designs praticamente todo o dia.

“É tão rápido”, disse Schlossman, afirmando que sua primeira reação foi de constrangimento, acompanhada de um débil entusiasmo: “É muita adulação".

Para quem são essas camisetas, além dos entes queridos dos imortalizados nelas, não está muito claro. Segundo o representante da Baewear, muitas das camisetas têm sido vendidas por dois dígitos até agora e ele sugeriu que, se um design especial tornar-se muito popular, deixará de ser fabricado.

“Tem sentido criar uma camiseta que pode atrair a talvez 20 ou 30 figuras top? Para nós sim”, escreveu ele. “Estamos muito conscientes da demanda limitada daquilo que estamos fazendo. Por outro lado, existe um pequeno grupo por aí que adere à brincadeira e é para eles que planejamos criar em primeiro lugar. No final, fazemos isto para as pessoas acharem engraçado."

O fato é que há alguns anos Deer Dana desenhou Grace Coddington, diretora criativa da Vogue América, para uma camiseta, e existem infinitas opções de Anna Wintour falsificadas. E a Baewear tem parentes, como Mark McNairy, que desfilou em fevereiro com uma camiseta homenageando Jim Moore, o diretor criativo da GQ, um gesto de reverência feito com irreverência. “Todo o pessoal na sala estava me olhando”, disse ele, numa ligação de Milão, lembrando aquele momento. 

Para o modesto Jim Moore a camiseta, que ainda está à venda na loja online de McNairy e que recentemente Channing Tatum foi fotografado usando, é a autenticação do duro trabalho que vem realizando obscuramente. “Certamente não vou sair gritando por aí, então ele fez isto por mim”, afirmou. “Qualquer um pode ser um herói hoje em dia."