'A China desponta como um grande mercado para a moda brasileira'

Mariana Belley - O Estado de S.Paulo

Para Ricardo Santana, diretor de negócios da Apex, o design nacional tem potencial para conquistar a Ásia e características regionais, como a natureza tropical, devem, sim, ser exploradas

Ricardo Santana, diretor de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex)

Ricardo Santana, diretor de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex) Foto:

'Criatividade, sustentabilidade, design, inovação, frescor e pluralidade.' Segundo Ricardo Santana, diretor de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (Apex), esses são os grandes diferenciais da moda brasileira. Todas essas qualidades, somadas aos projetos da Apex em parceria com o setor privado resultam na exportação da nossa moda ao mercado internacional e que, segundo Ricardo, vai muito bem, obrigado. 'Nos Estados Unidos, nós tivemos uma iniciativa com a rede de varejo Macy's, em que vendemos produtos brasileiros, como cosméticos, que não duraram até o final da promoção. Já na China, você percebe que os chineses querem sair cada vez mais do circuito de marcas europeias e norte americanas tendo o Brasil como uma alternativa de produtos diferenciados.'

Em entrevista ao Estado, Ricardo explica quais são as medidas usadas para exportar nossa moda e como ela é recebida no exterior.

Quais são as medidas oficiais para exportar a moda nacional?

O que temos construído com o setor privado, dentro do complexo de moda, são mecanismos de promoção comercial que passam pela identificação de oportunidades de mundo e ações customizadas para que a gente aproveite essas oportunidades para que cada vez mais exporte os produtos brasileiros, sempre em parceria com as entidades de classe, ou seja, as associações que representam os setores, e com os membros que são as empresas que participam dessas iniciativas e que estão ligadas às entidades de classe.

Você pode exemplificar quais são essas medidas?

Em termos de ações de promoção comercial e, claro, isso depende de mercado para mercado e das oportunidades nos setores que queremos trabalhar, mas o que nós temos são ações de comoção em redes de varejo, isso é algo que tem bastante efeito positivo no setor de estilista, têxtil, calçados e etc, ações em que nós trazemos ao Brasil, não só compradores, mas formadores de opinião, como blogueiros, por exemplo. Quando você trabalha com o setor de moda, diferente de outro setores, você pode imprimir nos produtos aquilo que você realmente é, os atributos de um brasileiro, por exemplo, e isso você só consegue quando abre as portas da sua casa e mostra o que você tem aqui.

Eu vejo muitas marcas que se apropriam de alguns atributos, como a natureza, por exemplo. E se você imprime essa referência nas suas peças, você consegue conciliar uma coisa com a outra. 

Mas do Brasil conseguimos extrair outras inspirações que não a natureza, certo?

Dentro dos atributos que nós trabalhamos no setor de moda, a natureza é um deles! Nós temos produtos com extrema qualidade, temos uma criatividade incrível, nos preocupamos com a sustentabilidade, com o design, com a informação. Temos pluralidade. A natureza é apenas um dos componentes que eu citei, mas claro que não é só isso. Existem algumas empresas que trabalham esse nicho para se apropriar da natureza, mas isso é uma estratégia de cada empresa. Dentro dos projetos que nós temos com a moda, esses atributos que eu citei acima fazem parte de um pacote que vendemos inteiro nas iniciativas que temos no exterior

E quanto ao investimento da Apex na exportação da moda nacional? De que forma ele é feito?

Todos os projetos da Agência são construídos da seguinte forma: existe um recurso financeiro da Apex dentro desses projetos que tem duração de 2 anos e existe também a contrapartida do setor privado, ou seja, um investimento das empresas que compõem esse total e que nos permite organizar uma série de iniciativas.

Quais os valores anuais?

Vou te falar sobre um período de 4 anos. De 2010 a 2014. Nesse período houve um investimento da agência no valor de 217 milhões de reais. Tem a contrapartida do setor privado para compor, e então, cada projeto tem um porcentual diferente. 

Como a moda brasileira é recebida no exterior?

Depende do país. Existem países onde você já tem uma percepção sobre moda brasileira um pouco mais avançados que outros. E tem outros que você precisa fazer um barulho na cabeça desse mercado para que ele comece a conhecer um pouco da moda brasileira. Estados Unidos, França, Itália, China, Japão, México, Emirados Árabes, Rússia são alguns dos países que a gente trabalha, ou seja, que nós mais investimos em termos que ação de promoção comercial. Nos Estados Unidos, por exemplo, nós tivemos uma iniciativa com a rede de varejo Macy's, em que vendemos produtos brasileiros em mais de 600 lojas. Muitos desses produtos, como cosméticos, não duraram até o final da promoção. Algumas estilistas brasileiras, como a Isabela Capeto, Cecília Prado, fazem ótimas peças e tem grande sucesso no mercado norte americano. Fizemos também uma parceria com uma rede de varejo japonesa. O mercado japonês aumentou a compra de produtos brasileiros que tiveram muita saída. Na China nós também fizemos uma ação de moda muito consistente. Com isso, você percebe que os chineses querem sair cada vez mais do circuito de marcas europeias e norte americanas. Claro que você não vai competir com as grandes marcas que já estão lá, mas o Brasil entra como uma grande alternativa de produtos diferenciados, com a sua originalidade e que salta aos olhos dos chinesas. A China desponta como um grande mercado para a moda brasileira. Até 2017 eles serão os líderes do mercado de luxo do mundo.

Qual o grande diferencial da moda brasileira?

Antes, você precisa olhar o mercado e pensar em qual atributo você dará destaque. Por exemplo, no mercado europeu, e isso não serve só para a moda, você sabe que o apelo da sustentabilidade é algo que eles valorizam e pelo que pagam mais. Se você trabalha no Oriente Médio, Arábia Saudita, Emirados Árabes, tem um apelo pela originalidade, pois eles não querem ter peças parecidas, querem cores mais exclusivas. Mas nosso diferencial se sustenta nos seguintes pilares, de forma horizontal: criatividade, sustentabilidade, design, inovação, frescor e pluralidade. Nós conseguimos dentro do Brasil, em várias regiões, ter peças diferenciadas de acordo com o local que estão sendo produzidas.