Moda consciente: estilista cria curso de tingimento natural para leigos

Marília Marasciulo - O Estado de S.Paulo

Especialista em peças sustentáveis, Flavia Aranha tem como objetivo fazer consumidor compreender melhor o modo de produção ecologicamente correto

A estilista Flavia Aranha inaugurou recentemente um espaço em seu ateliê na Vila Madalena, em São Paulo, para ensinar técnicas de tingimento natural.

A estilista Flavia Aranha inaugurou recentemente um espaço em seu ateliê na Vila Madalena, em São Paulo, para ensinar técnicas de tingimento natural. Foto: Rafael Arbex / ESTADAO

Cascas de cebola, de romã, de jabuticaba. Borra de café, chá preto, hibiscos. A cozinha e aquilo que geralmente é considerado resto ou lixo são uma excelente fonte de tinta para tecidos. Isso mesmo: é possível tingir blusas, vestidos, malhas e calças usando esses e outros ingredientes. E o processo é menos complicado do que parece. Para ensinar as técnicas a pessoas que não têm relação direta com a cadeia produtiva de moda, a estilista Flavia Aranha inaugurou recentemente um espaço em seu ateliê na Vila Madalena, em São Paulo.

Serão duas turmas com 12 vagas, uma nos dias 20 e 21 de agosto e outra em 17 e 18 de setembro. Além dos cursos de tingimento, em outras datas a estilista vai ensinar técnicas de impressão botânica e de estamparia junto com outras duas designers têxteis.

“Desde que a marca surgiu, em 2006, eu venho pensando em formas de humanizar a cadeia produtiva”, diz Flavia, que possui uma grife homônima de peças sustentáveis. “Ultimamente, fui tomada por uma angústia ao perceber que muita gente ainda não percebe que o slow fashion tem um preço e é importante que o consumidor veja isso.”

O processo realmente leva tempo. Para tingir uma regata com cascas de romã, por exemplo, são necessárias cerca de três horas, entre o tempo de preparação, o tingimento em si e a secagem (confira receita abaixo). O resultado é uma peça amarelinha feita de forma sustentável - até a água usada pode ser reaproveitada para lavar pisos ou molhar plantas, já que todos os ingredientes da composição são biodegradáveis.

“O consumidor tem um papel importante para a cadeia sustentável, ele fecha o ciclo”, afirma Flavia. “Com os cursos, a gente consegue trazê-lo de forma ativa para dentro dela e, mesmo quem talvez não compre o nosso produto final na loja, pode consumir nosso conhecimento e passar a produzir as próprias roupas.”

 

Receita de tingimento natural com romã 

Ingredientes e materiais:

Peça com tecido de fibra natural (algodão, linho, lã e seda) cru ou branco

Detergente neutro

Pedra hume (15% do peso do tecido, ou seja, para 100 gramas de tecido, utilizar 15 gramas de pedra hume)

Cascas de romã secas (mesmo peso da peça)

Panela grande de alumínio ou inox (que comporte cerca de 17 litros de água, para peças com 250 gramas)

Peneira

 

Modo de tingir:

Em uma panela grande, ferva água suficiente para cobrir todo o tecido, com espaço para mexer. Coloque o detergente e mergulhe a peça por 30 minutos. Retire e enxague. Na mesma panela, ferva mais água, coloque a pedra hume e coloque o tecido por outros 30 minutos. Enxague novamente. Macere as cascas de romã até que fiquem como um pó e, com a panela novamente limpa, ferva por outros 30 minutos. Coe a água e despeje o líquido de volta na panela. Coloque o tecido e deixe ferver por 30 minutos. Enxague e deixe secar. Em todas as etapas, mexa o tecido suavemente com uma colher. 

Para melhor conservar a peça, lave com sabão neutro (de coco) ou biodegradável.