Gucci une moda, arte e tecnologia no Japão

Maria Rita Alonso - Especial para O Estado de S. Paulo

Projeto da marca italiana contrapõe estética vintage do estilista Alessandro Michele ao trabalho de artistas contemporâneos como Daito Manabe e Trouble Andrew

Em sua instalação, o grafiteiro Trouble Andrews, ou GucciGhost, como é conhecido, recriou o espírito de seu próprio ateliê que fica no Brooklyn, em Nova York 

Em sua instalação, o grafiteiro Trouble Andrews, ou GucciGhost, como é conhecido, recriou o espírito de seu próprio ateliê que fica no Brooklyn, em Nova York  Foto: Divulgação

Esse é um mergulho no mundo digital, na experiência interativa, nas cores e nos ícones pop do Japão. Em busca de frescor e conectividade com os consumidores da geração dos millennials, a Gucci tomou conta de Tóquio, lançando um projeto com 4 artistas plásticos de diferentes áreas, que compõem bem a mistura de estilos adotada pelo estilista Alessandro Michele desde que assumiu a marca italiana há dois anos. 

Se por um lado Michele acena para símbolos vintage criando roupas que parecem ter saído diretamente nos anos 1970, por outro ele busca uma forte conexão com a modernidade.

E, no Japão, modernidade tem a ver sobretudo com tecnologia. Por isso, para esse projeto de moda e arte, Michele convidou o artista mutimidia Daito Manabe. Louco pelo game Pokemon, Manabe criou uma instalação a partir de projeções e gameficação. A sala promove um jogo com as peças da última coleção da Gucci e mistura as cores e as imagens de Daito a peças-desejo da marca.

A sala Words promove um jogo com as peças da última coleção da Gucci e mistura as cores e as imagens de Daito a peças-desejo da marca

A sala Words promove um jogo com as peças da última coleção da Gucci e mistura as cores e as imagens de Daito a peças-desejo da marca Foto: Divulgação

O segundo convidado foi o artista conhecido com Mr. (apenas Mr. mesmo). Famoso no Japão por seu trabalho envolvendo personagens de mangá, ele criou um ambiente caótico, no qual a desordem e a destruição englobam figuras de quadrinhos. Trata-se de uma visão crítica sobre a cultura japonesa que prega a perfeição e organização na vida cotidiana, venerando símbolos pop e oprimindo os desajustados.

Na mostra da Gucci que une moda e arte em um prédio no bairro de Ginza, em Tóquio, o artista conhecido como Mr. criou um ambiente caótico, no qual a desordem e a destruição englobam figuras de quadrinhos

Na mostra da Gucci que une moda e arte em um prédio no bairro de Ginza, em Tóquio, o artista conhecido como Mr. criou um ambiente caótico, no qual a desordem e a destruição englobam figuras de quadrinhos Foto: Divulgação

 

A sala mais poética é sem dúvida a da artista Chiharu Shiota, radicada em Berlin. Shiota trabalhou com 26.600 metros de fio de lã vermelha (cor que simboliza o sangue, para ela) para montar um emaranhado retilíneo sobre uma das estampas mais emblemáticas de Michele, floral batizado como Herbarium. Começou a projetar a obra em julho e contou com cinco ajudantes para a montagem. 

O quarto Herbarium, é assinado por Chiharu Shiota, que trabalhou com 26.600 metros de fio de lã vermelha

O quarto Herbarium, é assinado por Chiharu Shiota, que trabalhou com 26.600 metros de fio de lã vermelha Foto: Divulgação

 

Por fim, Michele contou com a colaboração do grafiteiro Trouble Andrews, que assina o último espaço da exposição, procurando recriar o espírito de seu próprio ateliê no Brooklyn, em Nova York. A mostra fica em cartaz no edifício da Gucci no bairro de Ginza, em Tóquio. As lojas japonesas terão também exclusividade na venda de linha de produtos feitas com Trouble Andrew. No início do ano, o grafiteiro “customizou” o logo da marca em bolsas e sapatos e criou estampas que remetiam aos seus grafites divertidos, coloridos e com traços de rebeldia. As peças viraram hits, provando que moda e arte pode acabar sendo um negócio lucrativo.