'Não me vejo como representante da beleza negra, represento a beleza da mulher', diz Miss Brasil

Gabriela Marçal - O Estado de S. Paulo

Em entrevista ao 'Estadão', Raissa Santana fala de seu novo posto e de polêmicas que envolvem concursos de beleza

Raissa Santana é a segunda Miss Brasil negra

Raissa Santana é a segunda Miss Brasil negra Foto: Lucas Ismael / Divulgação Miss Brasil BE Emotion

Raissa Santana entrou para a história no último sábado, 1, como a segunda mulher negra a vencer o Miss Brasil - Deise Nunes foi a primeira a receber o título 30 anos atrás. A jovem, natural da cidade de Umuarama, no Paraná, desbancou candidatas de outros 26 estados. Em entrevista, ao 'Estadão' Raíssa falou das expectativas com o novo posto e de polêmicas geralmente relacionadas a concursos de beleza (machismo, racismo e exclusão entre elas). Ela dividiu ainda sua rotina de exercícios físicos e contou mais sobre as aulas de oratória e passarela que precisou fazer. Confira.

  

Como é para você ser a segunda miss negra do Brasil?

 Eu não me vejo como representante da beleza negra, me vejo como representante da beleza da mulher. Por ter um jejum de 30 anos sem uma miss negra no Brasil, isso acabou ganhando um destaque, mas eu não me vejo como uma representante só da beleza negra, mas sim de todas as mulheres independentemente de cor e raça.

 

Você pretende ser porta-voz da causa negra?

Sim. Quero e usar toda essa repercussão para ajudar meninas e mulheres a se aceitarem mais, a estar de bem com seu próprio corpo. Não apenas com o cabelo, mas também com seus traços negros.

 

Você já alisou o cabelo?

Eu adoro o meu cabelo e hoje me aceito. Mas já passei por essa fase também de ter cabelo liso, de não me aceitar. Então, eu quero usar isso agora para ajudar as meninas que estão passando por essa fase de não se aceitar.

 

Uma discussão que ronda a disputa de miss é sobre machismo. O concurso é acusado de usar a mulher como objeto. Qual é a sua opinião sobre isso?

Acredito que os concursos de beleza estão mudando muito. A mulher não é só a beleza, ela tem uma voz. Ela não está ali para mostrar apenas o que é por fora. Ela é uma formadora de opinião. O conceito de miss mudou muito. Neste ano, o concurso ressaltou bastante essa questão de a mulher ter voz ativa e não ser apenas um objeto. 

 

Os concursos de beleza sempre enfrentam acusações de que são exclusivos, pois valorizam apenas um padrão de beleza, a mulher magra e alta. Como você vê essa questão?

Acho que isso está mudando em todo o mundo. Este ano o concurso estava muito diversificado de beleza. Tinham meninas loiras, mestiças, morenas.   

 

 

 

Como foi sua trajetória até se tornar Miss Brasil? Sempre sonhou em conquistar esse título?

 Não era um desejo de infância, isso surgiu para mim na adolescência. Quando eu tinha entre 15 e 16 anos,  trabalhava como secretária em uma academia e dois amigos me incentivaram a participar de um concurso de beleza. Foi a partir daí que comecei a gostar de moda e do mundo miss. Foi por acaso, não foi um sonho de infância, mas me apaixonei e quero fazer isso sempre.

 

Como foi a preparação para o Miss Brasil?

O Miss Paraná foi em setembro, então tive dois meses para aperfeiçoar algumas coisas. Eu sempre acordava cedo para correr, ir para a academia, fazer aulas de passarela e oratória. Adoro esporte e também faço muay thai. Minha rotina neste período era bem puxada. Eu saía de casa por volta das 7h da manhã e voltava meia-noite para casa. Tive muito foco e disciplina.

 

Você é adepta de tratamentos estéticos?

Eu fazia muita massagens modeladoras e de drenagem linfática.

 

Quais são as suas expectativas para o Miss Universo?

Quero chegar lá bem preparada para dar o meu melhor. Eu tenho todo um processo para me preparar até chegar lá. Quero me esforçar ao máximo aqui para dar o meu melhor lá e representar bem o Brasil e todas as pessoas que acreditaram em mim. Vou intensificar a preparação física e psicológica.