USP decide não participar de avaliação federal

SIMONE IWASSO - O Estado de S.Paulo

Universidade, que nunca aderiu ao Enade, diz considerá-lo inexato

A Universidade de São Paulo (USP) decidiu ontem que não participará da próxima edição do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), avaliação do ensino superior feita pelo Ministério da Educação. A instituição nunca participou do exame, criado em 2004 para substituir o Provão, por discordar de sua metodologia. Por ter autonomia, as universidades estaduais paulistas não são obrigadas a aderir à avaliação. De acordo com documento elaborado pelo Conselho de Graduação da USP, que será enviado ao MEC, "no modelo atual, a avaliação da qualidade dos cursos é prejudicada pela impossibilidade de distinguir entre um eventual desempenho insatisfatório no exame e um possível boicote intencional por parte do aluno". Além disso, na avaliação da instituição, os principais indicadores usados pelo governo são insuficientes. "Os resultados do Enade e informações coletadas junto aos alunos, referentes a infraestrutura e recursos pedagógicos, compõem majoritariamente os indicadores adotados (...). Entretanto, outros fatores devem ser considerados importantes dentro de um contexto mais amplo de avaliação da qualidade", afirma o documento. Os argumentos são semelhantes aos usados pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para justificar sua recusa em participar. Apenas a Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu entrar no Enade em anos anteriores - sua continuidade na avaliação, no entanto, ainda está sendo discutida. A participação no Enade divide opiniões na USP até mesmo entre os candidatos à sucessão da atual reitora, Suely Vilela. Os candidatos Armando Corbani, pró-reitor de pós-graduação, Glaucius Oliva, diretor do Instituto de Física de São Carlos, e João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito, afirmaram em entrevista ao Estado serem favoráveis ao ingresso da universidade na avaliação. Já para Wanderley Messias, coordenador da Comunicação Social e também candidato, o exame não é um mecanismo eficiente de avaliação. Em sua última edição, o Enade avaliou cerca de 330 mil alunos ingressantes e 235 mil concluintes dos cursos de graduação. Os resultados, além da nota dos alunos, são apresentados em conceitos. Essa maior complexidade, para especialistas, tornou a avaliação mais consistente, porém mais difícil de ser compreendida.