Uso de remédio para gripe deverá ser monitorado

Fabiane Leite, Ivana Moreira, Talita Figueiredo e - O Estado de S.Paulo

Anvisa alerta que bebês e gestantes medicados precisam de avaliação médica nas primeiras 48h

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou ontem que bebês com menos de 1 ano e grávidas que receberam o remédio contra a gripe suína (fosfato de oseltamivir ou Tamiflu) devem ser acompanhados cuidadosamente por seus médicos nas primeiras 48 horas após a primeira dose e também depois para a avaliação de possíveis efeitos adversos. No caso das crianças, a avaliação deve se repetir em 30 dias após o primeiro uso do tratamento e para as gestantes, em até 30 dias após o parto, também para a verificação de eventuais prejuízos aos recém-nascidos. "Os profissionais devem prorrogar sua preocupação, após receitar o remédio", afirmou Dirceu Barbano, um dos diretores da agência. Segundo enfatizou, o alerta é necessário porque não há larga experiência de uso da droga nessas populações e não se conhece seus efeitos.Além disso,por questões éticas, não são realizados estudos com bebês e gestantes. A droga vinha sendo utilizado principalmente contra a gripe sazonal, que afeta mais idosos. A agência recomenda que todos os profissionais de saúde informem o órgão sobre eventos adversos. Já estuda, porém, inclusive entrevistas diretas com pacientes que receberam o medicamento para buscar eventuais problemas. No Brasil, pelo menos 107 gestantes tiveram a doença e se recuperaram, mas não há ainda dados sobre quantas receberam a droga. Em julho a agência já havia feito outro alerta, para o risco de utilização de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico, como a Aspirina, em crianças com sintomas associados às infecções virais como as gripes. O cuidado se deve ao risco que crianças e adolescentes têm de desenvolver a Síndrome de Reye, que gera vômito, letargia, agressividade e convulsões. AFASTAMENTO DE GESTANTES Ontem os governos de Minas e Rio e de suas respectivas capitais anunciaram que afastarão servidoras públicas que estiverem grávidas pelos riscos da nova gripe. Na terça-feira, a secretaria estadual de Saúde paulista recomendou que grávidas fossem separadas de pessoas gripadas no trabalho e que se estudasse licenças em casos em que isso não fosse possível. A pasta informou, porém, que não pretende dar licença a todas, como fizeram Minas e Rio. O governo paulista também corrigiu informação dada anteontem pela secretaria de Gestão de que 235 grávidas seriam atingidas pela medida. Segundo a pasta, essas são aquelas em licença maternidade. O número real não foi informado. Ainda ontem o Ministério da Justiça determinou o uso de máscaras descartáveis por visitantes, advogados e servidores nas unidades do sistema penitenciário Federal e recomendou o mesmo aos Estados. SP confirmou que seguirá a orientação, porém informou já ter dois casos da doença em prisões. DOSES PEDIÁTRICAS Comunicado da Roche, fabricante do Tamiflu, informou ontem a paralisação da produção de suspensão oral pediátrica da droga até outubro, conforme informou o Estado ontem.No Brasil, a apresentação, que já faltava em postos de São Paulo, passou a ser manipulada pelos governos estaduais. A Roche diz que a suspensão requer uma capacidade de produção maior e que estuda sua terceirização.