Uma lesão invisível

- O Estado de S.Paulo

Esportistas amadores são as maiores vítimas

Atletas dos Jogos Pan-Americanos como Daiane dos Santos, da ginástica olímpica, Átila, do futebol, e Nalbert, do vôlei, gastam boa parte de seus dias treinando. E, claro, têm a musculatura mais desenvolvida. Isso, porém, não impede que sofram torções de tornozelo, rompimentos de ligamento e contraturas musculares, como de fato ocorreu com os craques. Os acidentes provocam dores, por vezes insuportáveis, e podem impedir a participação dos atletas nas provas. Daiane, por exemplo, ainda se queixava de dor no tornozelo ontem, admitindo uma possível ausência na competição do sábado. Se acidentes são comuns em esportistas profissionais, imagine o que acontece com os atletas amadores, regulares ou de fim de semana. Estes, segundo especialistas, são vítimas freqüentes de fraturas por estresse. O ortopedista Gilberto Anauate, do Hospital Santa Paula, diz que muitas pessoas que entram em seu consultório reclamam de dores, sem apresentar hematomas ou inchaço. "Por não serem insuportáveis como as fraturas comuns, as fraturas por estresse adiam a ida do paciente ao médico." Os exames de imagem acabam confundindo ainda mais o paciente - e, não raramente, alguns médicos. Isso porque o raio X, muitas vezes, não identifica o problema. "A fratura por estresse é muito discreta, é como se ela trincasse o osso. E o raio X é um exame que detecta lesões mais explícitas", explica o ortopedista Marcelo Acherboim, da Clínica Accura Centro de Traumatologia Esportiva e Ortopedia. As lesões mais sutis são melhor diagnosticadas pela medicina nuclear (cintilografia óssea) e pela ressonância magnética. Fraturas por estresse costumam acontecer com grande freqüência em corredores de rua. O piso irregular, combinado à má qualidade dos tênis e aos movimentos repetitivos, acaba gerando muito impacto sobre o esqueleto, em especial à tíbia. O tratamento é feito com repouso, imobilização, suspensão da atividade que gerava a carga excessiva e, em alguns casos, o paciente pode precisar de muletas e fisioterapia. Corredores de rua podem obter melhores resultados em pisos planos, como o do Parque do Ibirapuera, na Zona Sul da Capital. Antes de optar por uma modalidade esportiva, saiba que cada atividade exige um condicionamento adequado. Para fazer esporte com qualidade, é preciso respeitar os seus limites.