Tem dedo? Então aperta!

- O Estado de S.Paulo

Comporte-se

A fofa entrou no elevador quando eu já estava lá dentro, posicionado de frente para o painel de controle. "Aperta o segundo?", pediu a moça, com a boca bem mole e os olhos no teto. "Tenho pinta de ascensorista?", pensei. "Não, a nega é que não tem noção", conclui. Fiz aquela cara de ‘te conheço?’, dei uma bela cheirada na fulana e não apertei botão nenhum. Enfezadinha, ela esticou o braço curto - o esforço pareceu descomunal - e resmungou: "Muito obrigada". "Disponha", respondi. O segundo andar tremeu quando a lindinha deixou o elevador, com passos enfurecidos e fumaça nas ventas. Se você se viu na raiva da folgada, aprenda: quem acaba perto dos botõezinhos (acidentalmente, acredite) não tem obrigação nenhuma de apertá-los para os outros. Ficou lá atrás, enlatado, é aleijado ou está com as duas mãos ocupadas? Peça - eu disse pe-ça - a alguém que acione o seu andar. E, para quem veio da selva e ainda não sabe, pedidos civilizados são acompanhados de ‘por favor’. Olhe a diferença: "Aperta o segundo, por favor?" Aperto. Sorrindo.