Surto de rubéola deixa 8 Estados em alerta

Lígia Formenti e Fabiana Cimieri - O Estado de S.Paulo

Com mais de mil casos no ano, Rio é o que tem mais notificações; governo recomenda vacinação para quem tem menos de 19 anos

Brasília - O Ministério da Saúde determinou que secretarias de Saúde de todo o País entrem em estado de alerta para detecção de casos de rubéola. Um comunicado emitido na sexta-feira pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) afirma que oito Estados registram surto da doença, que pode levar ao aborto ou trazer graves seqüelas para o bebê, quando atinge gestantes. Só neste ano, foram confirmados 1.266 casos de infecção, número mais de três vezes superior ao contabilizado durante todo o ano de 2005, que teve 351 casos. Além do estado de alerta, a SVS recomendou a adoção imediata de uma série de medidas para aumentar a rapidez da detecção de novos casos e eficácia de ações de barreira - que evitam a formação de novos surtos. Entre as estratégias, está a imunização de jovens com até 19 anos que não receberam a vacina, como é preconizado. Quem não tiver a segunda aplicação comprovada também deverá ser imunizado. "Para proteger contra rubéola, uma dose é suficiente. Mas queremos consolidar também a erradicação do sarampo," diz a coordenadora do Programa Nacional de Imunização da SVS, Luiza de Marilac Meireles Barbosa. O surto mais grave ocorre no Rio, onde 1.051 infecções já foram confirmadas, o dobro do registrado no ano passado. Em seguida, vem Minas, com 61 pacientes. Nos oito Estados, a maior freqüência de infecções ocorre entre homens de 20 a 29 anos - a maioria não foi vacinada. O número de casos de rubéola vinha diminuindo de forma expressiva no País, mas, em 2006, novos surtos foram detectados. A retomada é atribuída ao número de pessoas não-vacinadas. A infecção de gestantes é a grande preocupação de autoridades de saúde. Em crianças, a doença provoca febre, manchas vermelhas e dores, mas não deixa seqüelas. A vacina contra rubéola entrou no Programa de Imunização em 1992. Numa segunda etapa, campanhas para vacinar mulheres em idade fértil foram realizadas. Em 2002, todos os Estados já haviam completado essa última etapa. A preocupação maior é evitar a Síndrome de Rubéola Congênita, que afeta bebês contaminados pelo vírus durante a gestação. Estudos recentes mostram que, em situações de surto, o risco de síndrome aumenta consideravelmente. Bebês com a síndrome podem apresentar mal formação cardíaca, surdez e cegueira. O contágio durante a gravidez pode levar também ao aborto ou à morte dos bebês logo após o nascimento. O Brasil, assim como outros países das Américas, assumiu em 2003 o compromisso de eliminar a rubéola congênita até 2010. A SVS já vinha planejando a realização de campanhas de vacinação para jovens de ambos os sexos, em 2008. Ontem, no Rio, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, garantiu que sua Pasta tomará as mesmas medidas em todos os Estados onde vêm ocorrendo um aumento substancial no número de casos de rubéola: vacinação de bloqueio e campanhas locais. Temporão afirmou que o sistema de vigilância epidemiológica do ministério está em alerta e mantém monitoramento constante com as secretarias municipais de todo o País. A Secretaria Estadual de Saúde do Rio considera que o surto está controlado. "Ainda estamos vacinando alguns grupos, mas não temos mais epidemia", disse o superintendente de Vigilância em Saúde fluminense, Victor Berbara.