''Se a capital não atendesse, a recomendação não teria efeito''

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Segundo ele, Prefeitura de SP aderiu à decisão do Estado para tentar evitar a transmissão entre alunos e o aumento de casos

Era para ser um daqueles domingos característicos de final de férias. Mas hoje, uma semana após o prefeito Gilberto Kassab (DEM) garantir que o retorno às aulas não seria adiado em São Paulo, os alunos da rede municipal podem fazer planos para os 15 dias a mais que ganharam longe de livros e cadernos. O motivo são os 14 dias que costuma durar o período de transmissão da gripe entre crianças e a expectativa de aumento da temperatura nas próximas semanas. Em entrevista ao Estado, o secretário municipal da Saúde, Januário Montone, explica que não houve precipitação e que em breve o antiviral recomendado para o tratamento da doença vai estar na rede básica de saúde. Por que as aulas voltam especificamente no dia 17 e não em qualquer outra data? Na capital, são cerca de 1 milhão de estudantes na rede municipal e 1 milhão na rede estadual. Se o município de São Paulo não atendesse, a recomendação feita pelo Estado não teria efeito. O que levou à recomendação foi uma avaliação da OMS (Organização Mundial da Saúde) que, no caso das crianças, o período de transmissão é de 14 dias, o dobro dos adultos. Como estamos a mais ou menos 15 dias do início do declínio do inverno, a recomendação foi que nós adiássemos 14 dias. Antes da recomendação, quando nos perguntavam se as aulas seriam suspensas, eu respondia que voltariam em 3 de agosto (amanhã) e até lá teríamos acompanhamento da prefeitura para tomar alguma medida. Mas então houve uma mudança de atitude? Quando falamos isso não tínhamos nenhuma recomendação e as aulas começariam no dia 3. Existia uma pressão da imprensa para saber se São Paulo adiaria o retorno às aulas porque Campinas, Osasco e outras cidades estavam adiando seus calendários, mas as aulas deles começariam no dia 27 de julho. Nós não tínhamos porque tomar nenhuma decisão antecipada, continuamos aguardando e então veio uma recomendação do ministério e depois do Estado. O que estamos deixando claro constantemente é que o grande teste desta epidemia tem sido a capacidade de aprender rapidamente com as informações obtidas e tomar uma decisão. Como a rede de saúde municipal está preparada para receber os casos de gripe suína? Se podemos dizer que existe alguma "vantagem", é que do ponto de vista dos sintomas gerais essa gripe é parecida com a gripe comum. De uma certa maneira, essa rede já está preparada para receber um afluxo maior de ocorrências, o que também, por outro lado, gerou uma dificuldade maior de identificar os casos no início do processo. No início da pandemia, o primeiro esforço do País foi tentar evitar a transmissão do vírus e identificar caso a caso. Isso retardou a circulação do vírus no Brasil. Tivemos praticamente 80 dias entre o surgimento dos primeiros casos e o início da circulação do vírus. Esse período todo surgiu para que ampliássemos as discussões com a rede de saúde. Todos os profissionais, com o crescimento dos casos, foram buscando mais informações sobre a doença. Agora, estamos começando uma nova fase de enfrentamento em que você não pergunta mais que tipo de gripe é, se sazonal ou suína. Você não espera mais a confirmação para fazer o tratamento. A secretaria trabalha com alguma estimativa de demanda? Não temos como trabalhar com alguma estimativa. Estamos esperando que agora, nas próximas duas semanas, o inverno tenda a reduzir seu pico. A gripe sazonal costuma reduzir neste período. Vamos ver o acompanhamento da gripe suína, então não tem como ter uma estimativa real. Como é o processo de distribuição do medicamento? Na fase anterior, em que praticamente apenas os hospitais de referência recebiam o medicamento, a tarefa era dividida entre a secretaria estadual e os municípios. Nós distribuímos de 27 de abril a 27 de julho 561 tratamentos, sendo 85 pediátricos. Para os hospitais de referência da cidade, só quem distribuía era a secretaria estadual antes da mudança do protocolo. Agora, a secretaria estadual recebe do ministério e continua distribuindo para poucas unidades diretamente (Emílio Ribas, Hospital das Clínicas, Sírio-Libanês e Albert Einstein). Para os outros, a secretaria municipal é que distribui agora. Do dia 29 para cá, já distribuímos 1.211 tratamentos para 90 hospitais. Não quer dizer que já foram usados. Está disponível na rede básica? A intenção é que agora o medicamento comece a ficar disponível nas AMAs.