Saúde recomenda transferir grávidas

- O Estado de S.Paulo

Gestantes que trabalham devem ir para áreas com menos aglomeração

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo recomendou ontem que mulheres grávidas, especialmente as que trabalham em serviços de saúde e educação, sejam afastadas do contato direto com pessoas gripadas e transferidas para áreas com boa ventilação e pouco acúmulo de gente, como setores administrativos. A medida vale imediatamente para os setores do governo e serve como orientação para a área privada. A pasta recomendou ainda que, na impossibilidade de transferência, as instituições "estudem alternativas legais de afastamento temporário das gestantes". De acordo com a secretaria de Gestão do governo paulista, um total de 235 gestantes servidoras estavam no governo até junho e deverão ser beneficiadas pela medida. Dos 69 óbitos registrados pela nova gripe no Estado de São Paulo até o dia 7 de agosto, 13 (19%) foram de mulheres grávidas. Especialistas apontam que a redução da imunidade entre grávidas - além de diminuição da capacidade pulmonar, especialmente nos três últimos meses de gestação - poderia explicar a maior letalidade nessa população. Até agora, 28 gestantes no Brasil morreram por causa da gripe suína. Outras 107 apresentaram a doença, mas foram curadas. Ainda ontem, a secretaria da saúde da capital informou que as gestantes cadastradas no Programa Mãe Paulistana serão contatadas por telefone pelos postos de saúde ou receberão visitas das equipes do Saúde da Família para serem orientadas sobre medidas preventivas. A rede tem o registro de 84 mil grávidas. "Será uma busca ativa", afirmou Edjane Torreão, coordenadora da assistência básica. No início da epidemia no Brasil, o Ministério da Saúde já havia recomendado que grávidas evitassem aglomerações. Ontem, a pasta informou que vai deixar para secretarias estaduais a decisão sobre afastamento de grávidas. Algumas instituições, porém, já estavam adotando medidas especiais . No Rio, o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) recomendou às médicas grávidas que evitem trabalhar em emergências e no tratamento de suspeitas de gripe. Desde o início da semana passada, o Hospital das Clínicas de SP afastou funcionárias que atuam na linha de frente do atendimento. O Hospital São Paulo, da Unifesp, transferiu gestantes que trabalham no pronto-socorro. Já a prefeitura de Ribeirão Preto anunciou ontem que afastará 66 gestantes. Grávida de 7 meses de Felipe, Kátia do Carmo, de 33 anos, pediatra do pronto-socorro do Hospital Santa Catarina, está há uma semana afastada da função. "Internei e mediquei muitas crianças com suspeita da doença", conta. "Eu estava me expondo demais." Já a professora da rede estadual Vanessa Gustavo da Silva, de 33 anos, grávida de 6 meses, está assustada em voltar ao trabalho na próxima segunda-feira. "Tenho receio de ser mantida na sala de aula e pedirei para ser remanejada", afirma. "Estou evitando a exposição em locais com muita gente. Preciso me cuidar." A presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Maria Izabel Noronha, porém, defendeu que todas as gestantes das escolas - professoras, funcionárias e alunas - deveriam receber uma licença. "A ideia é que a grávida seja afastada do ambiente e não do cargo. Se a escola é um ambiente de risco para elas, então, devemos retirá-las ." PREPARO PARA EMERGÊNCIAS O Gabinete Executivo Interministerial (GEI) estuda um projeto preparado inicialmente pelo Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário (Cepedisa) da Universidade de São Paulo que prevê, por exemplo, a possibilidade da determinação de quarentenas para determinados grupos. A expectativa é a de que, na próxima reunião do GEI (grupo criado pela presidência para discutir ações e prevenções contra a gripe) uma versão final do texto seja acertada. Assim que ficar pronto, o projeto deverá ir para o Congresso. BRÁS HENRIQUE, FABIANE LEITE, FELIPE ODA, LÍGIA FORMENTI e MARIANA MANDELLI