Revisão dos 50 anos

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

A Bertolucci encontrou um jeito especial para celebrar os 50 anos de atividades, resgatando a própria história com um quê de atual: dez arquitetos e decoradores foram convidados para redesenhar luminárias, abajures e pendentes criados ao longo desse tempo para as coleções da loja paulistana. Em alguns casos, o modelo original foi bastante modificado. Assim, o abajur de formas sinuosas dos anos 70 ganhou linhas retas em tons de cobre ou preto, na releitura feita por Marina Linhares - a base, antes circular e vazada, foi substituída por um retângulo compacto; só a cúpula de acrílico em meia-lua permaneceu fiel à antiga. No trabalho assinado por Gilberto Cioni e Olegário de Sá, as curvas do pendente amarelo daquela mesma década também foram suavizadas, além de a cor ter sido alterada para preto. Peça que fez parte de uma das primeiras coleções da loja, a luminária de parede dos anos 40/50 recriada por Marcelo Rosenbaum ganhou cúpula bem ao estilo do designer, em crochê, nas opções bordô ou cinza-chumbo. Dessa época, o pendente recriado por Fernando Piva se destaca pela cúpula em tecido preto (por fora) e dourado (por dentro), aplicado sobre o desenho original. A dupla Beto Galvez e Nórea de Vitto optou por atualizar as proporções e atenuar as bases do abajur e da coluna dos anos 60 que têm, como detalhe, madeira escura entalhada. Outras releituras sutis centradas nos acabamentos: a de Deborah Roig para as luminárias esféricas dos anos 60-70; a de Roberto Negrete para o abajur metálico de linhas refinadas dos anos 50; a do pendente futurista de Francisco Cálio; e a de Oscar Mikail, que trocou a cúpula acrílica de um abajur setentista pela de zebrano, madeira lançada há três anos que virou hit no mundo. Quanto a Débora Aguiar, ela preservou as linhas delicadas do abajur de inspiração oriental - mas soube criar um ar contemporâneo, ao estilizar as formas.