Questão é falta de prioridade política, diz especialista

- O Estado de S.Paulo

O pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco Petrus Santa Cruz, pioneiro em experimentos de microgravidade, viu seus esforços naufragarem no mar. "Quando percebi que estavam colocando a parte experimental em segundo plano, coloquei os experimentos também em segundo plano", disse. "O Brasil está muito preparado, mas o que se precisa é um plano político para que seu programa espacial se torne prioritário", acrescentou. Ele defende a reestruturação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e a permanência dos militares no comando do Centro de Lançamento de Alcântara. "Claro que foi decepcionante, porque no nosso caso era fundamental que a carga útil tivesse sido resgatada", afirmou o engenheiro Alessandro La Neve, da Faculdade de Engenharia Industrial (FEI). "O programa de microgravidade é importante, mas alguma coisa deve ser repensada, como garantir o resgate da carga útil." "Essa foi a última vez que participo de uma missão em Alcântara", desabafou a médica Vera Maura Fernandes de Lima, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ela informou que não pode dar maiores esclarecimentos sobre seu experimento, porque foi obrigada a assinar um documento de confidencialidade pelos militares. A reportagem do Estado solicitou entrevista com os militares responsáveis da Operação Cumã 2. O Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial limitou-se a enviar comunicado garantindo ter realizado o lançamento num dia com condições climáticas adequadas. E não enviou as últimas imagens do VSB-30, como requisitado. A missão teve um custo de R$ 3,5 milhões, sendo R$ 2,3 milhões com a construção do foguete e R$ 1,2 milhão com os experimentos. O pesquisador Marcelo Tosin esperava recuperar a carga útil para reutilizá-la numa nova missão e, futuramente, doar a peça a um museu da Universidade Estadual de Londrina. Seu experimento foi bem-sucedido, mas sabia que corria riscos.