População se divide entre calma e medo

Fabiana Cimieri, RIO - O Estado de S.Paulo

Enquanto alguns não mudam a rotina, outros tomam cuidados especiais

Em meio à epidemia de gripe suína, a população se divide entre a tranquilidade e o medo. Há quem não alterou sua rotina, mesmo pertencendo ao principal grupo de risco, como uma gestante de 9 meses. Outros estão cautelosos, evitam lugares com aglomerações e adotaram medidas mais rígidas de higiene, como uma engenheira que tirou licença do trabalho para ficar em casa com o filho. A nutricionista Roberta Romeiro, de 30 anos, grávida de 9 meses, sabe que tem risco maior de contrair qualquer doença por ser gestante. Mas não mudou a rotina. "Não é o vírus Ebola, é uma gripe", diz ela, acrescentando que, por isso, não ficou preocupada nem quando a enteada teve suspeita de gripe, no início do mês. A engenheira Cíntia Isidro, de 35 anos, tem atitude oposta. Desde 20 de julho pediu licença sem vencimentos para ficar em casa com Gabriel, de 3, por crer que a creche do filho e a empresa onde trabalha não adotaram medidas preventivas eficazes. "Temos evitado ir a shoppings e fazemos programas ao ar livre. Quando chego em casa, não falo com ninguém e vou direto lavar as mãos com álcool em gel. A saúde do meu filho melhorou muito e vi que essas viroses tão comuns da infância são resultado da falta de higiene", diz ela. A engenheira tem evitado andar de transporte coletivo. "As pessoas espirram sem proteção e depois colocam a mão tossida para se apoiar no metrô." A dona de casa Carolina Fortes, de 26 anos, que tem um filho de 3 e uma recém-nascida, diz estar tranquila e passeia quase diariamente com a pequena Helena no shopping. "Nunca fui neurótica com meu filho mais velho e também não estou sendo com a caçula, apesar da nova gripe." A atitude contrasta com o medo de sua mãe. "Ela colocou álcool em gel em todos os banheiros", contou, acrescentando que tem levado o filho mais velho normalmente à creche. Para o pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Raul Emrich Melo, o medo do desconhecido sempre acompanhou a humanidade: "As pessoas estão se preocupando menos com a violência urbana ou com o trânsito porque a nova gripe mudou o foco para o novo vírus."