Pesquisador cobra clareza no projeto

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo

?Essa rede é uma falácia?, acusa João Coimbra, presidente da SBP

O que mais intriga representantes da comunidade paleontológica nacional é a falta de clareza em relação à contribuição científica da Rede Nacional de Pesquisas Científicas em Paleontologia. Tal missão, a princípio, foi delegada à Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), que, no entanto, não possui paleontólogo profissional nem curso de paleontologia. "A situação, eu diria, é quase surreal", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), João Coimbra. "Essa rede é uma falácia, é uma brincadeira de mau gosto. Eu me perguntaria: ?Para que uma rede nacional de paleontologia??" Na época do lançamento da instituição, em 2004, a SBP, em seu informativo, classificou como "preocupante" e um "absurdo" o fato de uma secretaria estadual coordenar a pesquisa em paleontologia no País. A entidade também enviou carta ao então ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, na qual apontou uma "série de aspectos pouco claros na estruturação da rede", e pediu que as características do projeto fossem revistas. A SBP, segundo Coimbra, possui quase 500 sócios, entre profissionais, mestres e doutores. A maior parte dos profissionais - cerca de 50% - está concentrada no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. "Temos de vencer algumas resistências. Essa área científica é muito problemática", diz Sílvio dos Santos Vasconcelos, da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais. Ex-coordenador da rede, o presidente da ONG Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis, Beethoven Teixeira, admite que a exclusão dos pesquisadores representou uma "falha muito grande" no início do projeto. "Agora vamos para a fase mais complicada, fazer funcionar todo esse dinheiro que foi gasto e prestar contas à sociedade." PROPOSTAS O projeto cita como finalidade da nova instituição o "incremento da interação e cooperação" entre as equipes de profissionais, "promovendo o debate e entrelace de informações, bem como a difusão do conhecimento científico desta matéria". De forma genérica, afirma ainda que "se propõe a criar um Plano Diretor para a área e estabelecer planejamento estratégico para apoiar, auferir e propiciar a captação dos recursos para as pesquisas". E propõe ações nas áreas de proteção do patrimônio paleontológico, preservação ambiental, promoção turística, escavações e exploração científica. A UFTM disse que a participação da universidade na gestão da rede poderá favorecer a abertura de um curso de graduação na área. O Ministério da Ciência e Tecnologia não respondeu aos pedidos de informação.