Persiste abismo social entre brancos e negros

Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

Os números apresentados pelo estudo mostram que existe uma grande distância entre brancos e negros. A pobreza e a indigência é três vezes maior entre a população negra. Domicílios chefiados por negros têm menos acesso a rede de esgoto, abastecimento de água ou coleta de lixo. A desigualdade também está presente no serviço de saúde, que por definição é universal. Dados mostram que 46,3% das mulheres com mais de 25 anos nunca fizeram exame clínico de mama, teste indispensável para detecção precoce de câncer. "As mulheres são menos tocadas, menos examinadas", disse a pesquisadora Maria Inês Barbosa. O número torna-se ainda mais preocupante quando se avaliam as estatísticas populacionais. Dados mostram que a população negra passou de 42% em 1996 para 47% em 2006. Esse número não reflete mudança demográfica, mas sim cultural, afirmam especialistas. "Fruto do movimento negro, boa parte da população passou a se reconhecer como tal. E a tendência é de esse número aumentar ainda mais",afirmou Maria Inês.