Pequenos e sofisticados

Mariana Sodré - O Estado de S.Paulo

Cartões sociais infantis são cada vez mais comuns entre a criançada do Rio de Janeiro e São Paulo.

Ao enviar um presente, ou agradecer o recebido, usa-se o cartão pessoal (individual) ou social (no nome do casal). O mesmo serve para agradecer jantares, festas e afins. É assim há muito tempo. Porém de uns anos para cá, esta prática comum aos adultos é igualmente usada por crianças, muitas vezes com menos de um ano de idade ou longe de completar dez anos vividos. Quando a economista Adriana Camargo teve seu primeiro filho, Guilherme, no começo de 2007, recebeu as costumeiras lembranças de boas-vindas acompanhadas de cartões assinados pelos filhos - contemporâneos do recém nascido Guilherme - de seus amigos. Os cartões eram timbrados com o nome e sobrenome das crianças ou bebês, e escritos por seus pais. De diferente, tinham bonequinhas, ursinhos, carrinhos e demais ilustrações coloridas e lúdicas. Além, é claro, de estilo de fonte (escrita) divertidos e ou suaves. Detalhes graciosos que podem levar um desavisado a achar graça ou apontar uma pitada de nonsense no novo costume, mas muito comuns aos ''''neo-pais''''. Tanto que, os irmãos Max, 3 anos, e Fred Strozenberg, um ano, não fazem parte do círculo de conhecidos de Guilherme, e recebem e enviam os seus cartões próprios. Ticiana Strozenberg, mãe da dupla, conta que além de charmosos, os cartões (da papelaria Casa 8) são bem práticos na hora de identificar presentes em festas infantis, onde os ''''regalos'''' são deixados numa sala e só abertos no dia seguinte. Contudo, fora a praticidade e a ''''fofura'''', também há nesses cartões o fator diversão. Explica-se: Max, são paulino roxo, tem um ''''jogo de futebol'''' estampado em um de seus cartões. No outro, seus bichinhos favoritos em destaque. Por lá, entre muitas outras coisas, há um book com centenas de opções de modelos (desenhos, cores e fontes de letras) para cartões sociais infantis. Noca Falbel, uma das donas da papelaria, não diz quantos cartões do tipo vende, mas assume que não são poucos. Já os filhos de Maria Elisa Araújo, dona da Papel Craft e que também desenvolve cartões infantis, não têm cartão,pois os filhos hoje adolescentes, já curtiram a onda há tempos, bem antes do modismo.