Países sugerem cortes de emissões

Herton Escobar, BONN, ALEMANHA - O Estado de S.Paulo

Várias metas genéricas já foram apresentadas, mas todas abaixo do que a ciência diz ser o mínimo necessário

Quase todos os países desenvolvidos que fazem parte do Protocolo de Kyoto já apresentaram alguma proposta sobre o quanto pretendem reduzir suas emissões de gases do efeito estufa para o segundo período de vigência do acordo climático, que começa em 2013. Seria uma boa notícia, faltando apenas quatro meses para uma decisão final em Copenhague, se os números não estivessem bem abaixo do que a ciência recomenda e viessem acompanhados de uma série de questionamentos técnicos e amarrações políticas do tipo "só faço isso se você fizer aquilo". Essa era a situação até ontem em Bonn, na Alemanha, onde os países signatários da Convenção do Clima fazem uma das últimas reuniões preparatórias para a conferência de Copenhague (chamada COP 15), em dezembro, na qual deverá ser assinado um novo acordo internacional de combate às mudanças climáticas. Treze já apresentaram algum número - incluindo uma proposta conjunta dos 27 países da União Europeia. As metas variam entre 5% e 30% de redução até 2020, comparado ao que se emitia em 1990, que é o ano-base do Protocolo de Kyoto. Alguns países, porém, apresentaram propostas com "baselines" diferentes, como Canadá (2006), Japão (2005) e Austrália (2000). Como as emissões só aumentaram, quando mais recente o ano-base, menor a redução a ser feita, proporcionalmente. O valor agregado das propostas apresentadas até agora corresponderia a uma redução global de 20% em relação às emissões de 1990. O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) recomenda um corte de pelo menos 40% para manter o aumento da temperatura global abaixo de 2 ºC. A Nova Zelândia apresentou no primeiro dia da reunião em Bonn uma proposta de redução de 10% a 20%, dependendo do que fizerem os outros países. A Europa tem uma proposta de 20%, que pode subir para 30%, dependendo do que fizerem os Estados Unidos. O Japão propõe reduzir suas emissões em 15%, comparado ao ano de 2006. "É uma meta muito difícil para nós, visto que nossa economia já é bastante eficiente em termos de energia", disse um diplomata japonês. Diplomatas brasileiros chamaram atenção para o fato de que nenhuma das propostas está sendo negociada oficialmente ainda. São apenas indicações iniciais de quanto os países estão dispostos a reduzir. PROPOSTA BRASILEIRA O Brasil, por ser um país em desenvolvimento, está isento de metas compulsórias no protocolo. O chefe da delegação brasileira, Luiz Figueiredo, porém, adiantou que o País pretende apresentar em Copenhague uma meta numérica de redução da taxa de crescimento das emissões nacionais. Os detalhes, segundo ele, estão sendo "gestados" no governo. Mas é certo que a peça principal do plano será a redução do desmatamento, que produz 75% das emissões de CO2 do País. O repórter viajou a convite da Organização da COP 15.