O rococó volta a reinar

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

A derradeira e mais fashionista rainha francesa dita moda em pleno século 21. Com o sucesso do filme ´Maria Antonieta´ nos cinemas, o rococó chega às vitrines, moldando sobretudo jóias e bijus. Blusas e camisas também recebem os ornamentos rebuscados do movimento artístico que marcou a transição do barroco para o neoclassicismo, no século 18. São laços, babados e rendas em abundância. Numa temporada nublada, com o império do cinza ´clean´, um pouco de extravagância é um respiro. A influência do estilo Maria Antonieta no mundo fashion, entretanto, vem de longa data. O filme da diretora Sofia Coppola apenas recoloca em evidência uma inspiração antiga dos grandes estilistas, principalmente os mestres da alta-costura, como Yves Saint Laurent, Jean-Paul Gaultier, Karl Lagerfeld e John Galliano. Os dois últimos, aliás, assinam os incríveis looks da produção com a italiana Milena Canonero, vencedora do Oscar de Melhor Figurino deste ano. Até Madonna já bebeu das fontes de Versalhes. Em 1990, a rainha do pop fez uma apresentação histórica no Video Music Awards, premiação anual da MTV, reproduzindo no palco a exuberante corte francesa para cantar o hit ´Vogue´. Catorze anos depois, Madonna virou novamente a monarca - numa versão cyber - durante a turnê Re-invention. Esposa de Luís XVI, a austríaca coroada rainha da França em 1774, aos 18 anos, ganhou na telona um perfil bem distante do retratado nos livros de história. A personagem criada por Sofia Coppola - e interpretada por Kirsten Dunst - não é a louca que, no auge da miséria na França, mandou o ´povão´ comer brioches por não ter pão à mesa. O filme desenha uma Maria Antonieta doce e espontânea, vítima da monarquia francesa. Isolada pelos nobres de Versalhes, a falta de desejo do marido e a pressão ostensiva do reino por um herdeiro, a jovem monarca se refugia num mundo de luxo e irreverência. Quebra o protocolo dos tons pastéis colecionando vestidos de cores berrantes, sapatos descolados - um All Star aparece entre os pares, brincando com a modernidade da rainha - e perucas de até um metro de altura. As festas e a comilança são intermináveis. Tentando sobreviver à hostilidade palaciana, Maria Antonieta esvazia os cofres públicos e é guilhotinada com Luís XVI pela Revolução Francesa. Na ficção, à alienação justificada ainda se somam humildade e nobreza. Durante a tomada popular do Palácio de Versalhes, a rainha se curva em frente à turba. Depois, segue o marido rumo à morte.