Novo PIB deve incluir indicador de felicidade

GIOVANA GIRARDI E ANDREA VIALLI - O Estado de S.Paulo

O conceito de Produto Interno Bruto (PIB), usado como indicador de riqueza e crescimento econômico de um país, teria de ser revisto em um mundo que luta pelo desenvolvimento sustentável. Essa é a opinião do economista Hugo Penteado, do Banco Real e autor do livro "Ecoeconomia, uma nova abordagem". Para ele, o número ignora os problemas causados pelo crescimento econômico. A métrica só contabiliza os ganhos, sem calcular, por exemplo, as externalidades, ou seja, os custos para o ambiente e a sociedade. "Se um país destruir o ambiente, contaminar o solo e a água para poder crescer, esse impacto não é considerado pelo PIB", diz. "Por essa lógica, primeiro se cria um problema e depois buscam-se tecnologias para resolvê-lo. Em vez de evitar emissões de gases-estufa, por exemplo, criam-se tecnologias para o seqüestro de carbono." "Foca-se no crescimento econômico, e ele nem sequer está trazendo satisfação pessoal. Vemos no mundo mais depressão, alcoolismo, suicídio", afirma Penteado. Tendo isso em mente, o centro de estudos britânico New Economics Foundation chegou a propor a criação de um indicador de planeta feliz (HPI, na sigla em inglês) para substituir o PIB. O índice mediria "a eficiência relativa com que nações transformam recursos naturais da Terra em vidas longas e felizes para seus cidadãos". Na prática, tentaria mostrar se a riqueza está sendo bem distribuída e traz felicidade para as pessoas em seu dia-a-dia. A idéia de revisão do PIB também é apoiada pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, que encomendou a tarefa a um grupo de 25 cientistas, entre eles os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz (2001) e Amartya Sen (1998). A proposta, a ser apresentada até junho de 2009, deve não só contabilizar os ganhos econômicos, mas levar em conta atividades que promovam desenvolvimento sem exaurir os recursos naturais e tragam melhoria da condição de vida.