Nos embalos lá de casa

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Democrática, saudável, terapêutica, pedagógica, afrodisíaca e até santa. Nos últimos três séculos, a dança tem servido a tantos setores da atividade humana que acabou ganhando uma homenagem no calendário. Trata-se do Dia Internacional da Dança, comemorado no próximo domingo. Ainda que a data seja pouco divulgada, algumas academias já preparam surpresinhas para aproveitar a ocasião. Este é o caso do Núcleo Stella Aguiar (tel. 5055-9908), que programou uma semana de aulas gratuitas e criou o vale-dança - presente muito criativo. E, até mesmo, uma boa indireta para quem pretende convencer alguém a virar seu parceiro de pista. Isso mesmo: para muita gente, dançar é sinônimo de paquerar. Não é à toa que o Stella Aguiar, em dez anos de atividades, já celebrou 11 casamentos. Nos consultórios médicos, bailar juntinho é a recomendação mais constante dos terapeutas de casais. Na casa de Neusa Vanzelli, 56 anos, a dança virou programa de família. Ela, o marido e a filha Marília, de 27 anos, passaram a freqüentar aulas de dança de salão há um mês. ?Antes, cada um ficava no seu canto, em casa. Gostamos muito de ler, mas essa é uma atividade muito solitária. Agora, temos uma atividade em comum, passamos mais tempo juntos?, diz. Neusa conta que a iniciativa partiu da filha, uma ex-bailarina em busca de atividades de baixo impacto por conta de lesões no joelho. ?Decidi acompanhá-la porque estava cansada de ficar sentada a noite inteira quando ia a um casamento. Meu marido já sabia dançar, mas tinha aquele jeitão antigo e queria se modernizar. Agora, só falta convencer meu filho mais velho.? Entre os homens, a dança não é mesmo uma atividade muito comum. Culpa da tradição: como a modalidade já esteve muito associada ao estilo clássico e suas meninas de tutu, muitos rapazes olham para todo tipo de dança com receio. Bobagem. Stepan Nercerssian, com sua barriguinha saliente, provou que dançar também é para macho. Estrela do quadro Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão, ele estimulou muita gente a acordar o pé-de-valsa adormecido. No Centro de Dança Jaime Arôxa (tel. 3951-1518), um dos redutos da dança de salão na Capital, a procura pelas pistas aumentou em 30% no último ano. Por lá, a novidade é a dança livre, que estimula o conhecimento corporal. ?O curso ensina a usar emoções e sensações com diversão e prazer, sem a preocupação com acertos e erros?, diz o professor, Celso Cardoso. Conscientização corporal também é o mote do Spa do Movimento (tel. 3865-4780) mais interessado na educação do indivíduo do que em fazer dele bailarino. ?Não é curso de dança. Oferecemos uma solução que melhora a performance do aluno no dia-a-dia e o ajuda a preservar a saúde física e mental?, observa o coreógrafo Ivaldo Bertazzo. O potencial pedagógico da dança já foi percebido também pelos educadores. É por isso que ela aparece de forma recorrente no programa escolar dos pequenos. ?Dançar não é um adorno na educação, mas um meio paralelo a outras disciplinas que formam, em conjunto, a educação do homem, um homem com mais percepção de seu corpo?, destaca a estudiosa Maria Fux. E, se ainda faltam motivos para rodopiar por aí, vale lembrar que dançar por uma hora pode queimar até 400 calorias!