Na ONU, papa faz apelo por liberdade religiosa

Ap e Efe - O Estado de S.Paulo

Bento XVI pede apoio ao diálogo inter-religioso e volta a defender [br]diplomacia e ações multilaterais na resolução de conflitos internacionais

O papa Bento XVI disse ontem na Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que o respeito aos direitos humanos é a chave para resolver muitos dos problemas do mundo e advertiu que a cooperação internacional está ameaçada por "decisões tomadas por poucos". O pontífice também ressaltou que os direitos humanos devem incluir o direito à liberdade religiosa, e afirmou que as Nações Unidas têm o dever de protegê-lo. Ele pediu apoio da ONU ao diálogo inter-religioso, "do mesmo modo que apóiam o diálogo em outros campos da atividade humana". Bento XVI também disse que "não deveria ser preciso abdicar de Deus para gozar dos próprios direitos", em referência à situação dos cristãos em regiões como o Iraque. O papa destacou ainda o dever da instituição de intervir perante as crises humanitárias e proteger a população. "A promoção dos direitos humanos continua a ser a estratégia mais eficiente para eliminar desigualdades entre países e grupos sociais e a crescente insegurança", defendeu. O pontífice insistiu na importância do diálogo e do esgotamento de todas as vias diplomáticas na resolução de conflitos. Ao concluir seu discurso defendeu o papel de observador permanente que o Vaticano tem nas Nações Unidas, ao manifestar "a vontade da Igreja Católica de oferecer sua contribuição à construção das relações internacionais". NOVAS REGRAS Bento é o terceiro papa a discursar na ONU. Ele fez seu pronunciamento após três dias dramáticos, nos quais tratou do escândalo de abusos sexuais cometidos por padres nos Estados Unidos. O cardeal William Levada, alta autoridade do Vaticano, disse na sexta que a Igreja Católica considera mudar as leis canônicas que regem a forma como a instituição lida com esse problema. A revelação foi feita um dia depois do encontro de Bento XVI com as vítimas de abusos sexuais. Centenas de católicos, que ficaram perto da fortaleza na qual foi transformado o prédio da ONU, cantaram e tocaram violão para receber o pontífice em sua primeira viagem à cidade. O programa do papa em Nova York incluirá uma visita ao ponto zero, onde ficavam as Torres Gêmeas, destruídas em 11 de setembro de 2001. Amanhã o papa celebra uma missa no estádio de beisebol Yankee.