México quer que emergentes colaborem em fundo do clima

Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Brasil diz que vai analisar proposta mexicana de Fundo Verde Mundial

A disponibilidade de recursos é um ponto-chave para combater o aquecimento global. Mas a maneira como será financiada a redução da emissão de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global, ainda provoca impasses. Nas negociações internacionais, os países em desenvolvimento exigem que os ricos financiem o corte de emissões dos mais pobres. Mas o México propõe algo diferente: a criação de um Fundo Verde Mundial, com a contribuição tanto dos países desenvolvidos quanto dos emergentes. A ideia é que países com maior Produto Interno Bruto (PIB) coloquem mais dinheiro no fundo. Para retirar recursos, a lógica é inversa: quanto mais pobre, mais recebe. "Será difícil definir metas em Copenhague, em dezembro, se não houver um acordo internacional sobre como a política climática será financiada", afirmou ao Estado Enrique Lendo, chefe da área de relações internacionais da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais do México. O fundo complementaria, de acordo com ele, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto. Pelo MDL, os países ricos podem comprar créditos de carbono de países pobres. O Fundo Verde Mundial funcionaria principalmente com recursos públicos. "Tivemos um retorno positivo de que a ideia é abrangente e inclusiva", disse Lendo. O embaixador extraordinário para a mudança do clima do Brasil, Sérgio Serra, afirma que a proposta do México contraria a Convenção do Clima das Nações Unidas (pela qual os países industrializados devem custear as ações para cortar emissões nos demais países). "É difícil que o grupo do qual o Brasil faz parte (G77 + China) apoie. Mas, realisticamente, poderá ocorrer uma mistura das diferentes propostas de financiamento em Copenhague", disse. No fundo mexicano, o Brasil teria um ganho líquido (receberia mais recursos do que colocaria). Ontem, em razão da visita do presidente mexicano, Felipe Calderón, ao Brasil, os dois países soltaram um comunicado conjunto. No documento, "sublinharam a urgente necessidade de ampliar a escala de recursos disponíveis para enfrentar os efeitos adversos da mudança climática" e "acordaram seguir considerando as propostas de estabelecer mecanismos de financiamento internacional". FACILITADOR Para o professor Eduardo Viola, da Universidade de Brasília, o presidente Calderón internalizou no país a importância da questão climática. Em 2007, criou um plano para guiar o país para uma economia de baixo carbono - o que o Brasil fez em 2008. "O México adotou uma postura de facilitador para o acordo em Copenhague", afirmou.