Malhação cultural

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Todo mundo quer ter um corpinho em cima, levar uma vida saudável. Mas tem gente que não consegue nem passar na frente das academias convencionais, que já fica com calafrio só de pensar no tédio e na rotina de ´puxar ferro´ ou subir e descer ´steps´. Que tal manter o corpo saudável e ainda aprender sobre novas culturas? Como? Dançando. Você sonha em conhecer o Taj Mahal, mas a grana tá curta, comece praticando alguma das Danças Clássicas Indianas. Segundo Patricia Romano, diretora da sede brasileira da Natyalaya Escola de Danças Clássicas Indianas, cuja matriz fica na Índia, não há como dançar sem conhecer um pouco de filosofia indiana, já que em todas as danças indianas o aluno interpreta os deuses hindus. A dança, naquele país, é considerada uma das formas de arte mais desenvolvidas. Os estilos clássicos, que são sete - Kathak, Odissi, Manipuri, Kathakali, Mohini, Attam e Kuchipudi - estão relacionados com a mitologia, a filosofia, as crenças espirituais da cultura hindu e, mais recentemente, com a tradição islâmica. De acordo com Patricia, a dança é recomendada para homens e mulheres de todas as idades. Entre outros benefícios, esse estilo de dança ajuda na correção postural, no fortalecimento muscular e no aumento da capacidade respiratória. Naíra de Almeida Prado, de 20 anos, aluna de Patricia, se apaixonou tanto pela dança que resolveu ir pra Índia passar oito meses. ´Fiquei em um centro de meditação, fiz amigos, tentei aprender um pouco da língua. Mas, mesmo assim, não conheci nem um terço da cultura do país, extremamente rica.´ Se preferir começar pelo velho continente, que tal a Espanha? Aprender flamenco pode ser uma boa forma de se aproximar culturalmente desse país na península ibérica. Gastando cerca de 600 calorias por aula de uma hora, quem pratica flamenco trabalha a postura, as pernas, os braços , as mãos, enfim ´trabalha tudo´, como explicou a professora e dona da Associação Cultural de Dança Espanhola Cuadra Flamenca, Vera Alejandra. Além do mais, o traje de dança, que inclui saias chamativas, collants, sapato alto e abusa dos coques no cabelo, deixa qualquer uma sensual e poderosa. Segundo Deborah Nefussi, da Raies Dança Teatro , os maiores benefícios físicos são o intenso trabalho de coordenação motora, fortalecimento de musculaturas como o quadríceps e a panturrilha, além do desenvolvimento da capacidade rítmica e musical. O flamenco é fruto da mistura de culturas da Península Ibérica no passado. Tendo influência dos povos ciganos e mouros, esse tipo de dança é hoje um símbolo da cultura espanhola, embora seja mais forte na região da Andaluzia, ao sul do país, onde foi originada. Nada de Europa ou Índia? As aulas de danças guineanas com Fanta Konatê, no Instituto África Viva, são ideais para quem quer gastar energia e se aproximar mais da cultura da África Ocidental. Fanta, nascida em uma aldeia na Guiné chamada Malinke, vem de uma família de artistas. Apenas ela e a irmã moram no Brasil. No País há quatro anos, Fanta ensina as danças de seu país com direito a música ao vivo, na verdade uma verdadeira orquestra de tambores típicos de lá, os djembês e os dununs. Os passos são expansivos e geralmente fazem referência a movimentos cotidianos dos guineanos, como se banhar no rio, ou a movimentos guerreiros. ´Lá todos dançam, e por qualquer motivo. Temos danças para o batismo, para o casamento.´ conta Fanta, filha de um grande percussionista com fama internacional, Fanadou Konatê. Na Guiné ninguém escolhe ser artista, pois a arte faz parte dos costumes das aldeias. Fanta, porém, escolheu menina entrar para o Balé Nacional da Guiné, iniciativa governamental cujo objetivo era representar as 12 etnias presentes no país. Por conta disso, Fanta ensina às suas alunas danças de todas as etnias que ela aprendeu, além de cantar no respectivo dialeto. Simone Soul, baterista e percussionista brasileira (já tocou com Itamar Assumpção, Chico César e recentemente acompanhou Os Mutantes em Londres), faz aulas há três anos. ´Comecei me interessando pela percussão da Guiné, que é uma das maiores riquezas culturais do mundo. Procurei então a dança para desenvolver corporalmente esses ritmos. Me dá energia para todas as atividades que exerço. Já fiz academia antes, mas depois que comecei a fazer dança, não volto para lá de jeito nenhum.´ Para quem quiser dar a volta ao mundo sem sair daqui, passar pela África, Europa e Índia já é um bom começo. Serviço Raies Dança Teatro Rua Capote Valente, 109, Pinheiros - tel: (011) 3088 7952 e-mail: raies@flamencobrasil-raies.com.br; R$ 110, para uma vez por semana Cuadra Flamenca Associação Cultural de Dança Espanhola Rua Luis Murat, 386, Vila Madalena - tel: (011) 3814 3141 email: cuadra@cuadraflamenca.art.br R$ 120, para uma vez por semana NATYALAYA Escola de Danças Clássicas Indianas Rua Minerva, 272, Perdizes- tel:(011) 3803 9700 email: natyalaya@hotmail.com .R$ 110, para uma vez por semana no plano semestral Instituto África Viva Rua Eugênio de Medeiros, 288 , Pinheiros - tel: (011) 3368-6049 email: djembedon@gmail.com ; R$100, para uma vez por semana