Livres para amar

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

?Meu marido está saindo com uma cantora.? Como revelar algo assim? Aos prantos? Aos berros? Ana comenta a vida amorosa de Daniel como quem pergunta se chove, sem exaltações. À vontade, ele questiona sobre um terceiro sujeito que insiste em telefonar para a mulher após as 23h, acordando os três filhos do casal. De convencional, só as alianças na mão esquerda. De mãos dadas, a caminho da entrevista com a Revista JT, Ana e Daniel parecem formar um par tradicional, desses que passeiam na pracinha com os filhos e planejam a compra da casa nova. Meia hora de conversa mostra que há mais do que acertos domésticos para se discutir ali. O papo é tão aberto que sobra espaço para os relacionamentos extraconjugais de ambos. ?Vamos deixar claro: não estamos em temporada de caça, não saímos por aí dando tiro no escuro?, diz Daniel. Ana completa: ?Mas temos vontade de conhecer outras pessoas e agora podemos fazer isso sem mentir?. Daniel e Ana vivem um casamento aberto entre quatro paredes, mas limitado por tradições sociais. Ocultam rostos e sobrenomes, como a maioria das pessoas entrevistadas. O temor é compreensível: a expressão ?relacionamento aberto? se tornou tão popular que passou a designar situações muito distintas, do descompromissado ?ficar? ao apimentado ?swing?. Importada dos EUA, a filosofia do poliamor traz uma quarta versão do amor livre. Mais do que conseguir alvará do parceiro para transas eventuais, o poliamor propõe uma rede sentimental que põe à prova a capacidade humana de se envolver sentimentalmente com várias pessoas. Você seria capaz?