Isolamento em casa pode ser revisto

- O Estado de S.Paulo

Kits permitem diagnóstico mais ágil e devem causar impacto no tratamento de eventuais novos casos de gripe

O isolamento em casa de pacientes suspeitos de contaminação pelo vírus da gripe suína, como ocorreu com um dos dois infectados no Estado de São Paulo, é um procedimento normal, dizem os especialistas. Mesmo assim, com o avanço do número de casos, isso pode mudar. Segundo o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, com a chegada dos kits de diagnóstico enviados pelo CDC (que chegaram nesta semana ao País), a confirmação dos casos será feita de forma mais ágil e isso terá impacto no tratamento. "O paciente pode estar com os sintomas, mas com um vírus que não seja o H1N1. Mas os casos sintomáticos vão ser internados e isolados, e não mais monitorados em suas casas", explica. Porém, o infectologista não descarta que com a evolução dos casos muitos pacientes infectados não sejam diagnosticados. "Vamos atender só os pacientes muito sintomáticos e os graves. Muitos casos não vão ser diagnosticados", afirma. Um dos sintomas que devem despertar atenção é a febre alta constante, acima de 38°C. Apesar de a forma como o paciente paulista foi isolado das demais pessoas chamar a atenção, os especialistas são unânimes em afirmar que manter o suspeito em casa não é incomum. Ontem, representantes das principais entidades da área de infectologia, reunidas em São Paulo, consideraram correta a estratégia de permitir que o paciente seja isolado em casa. "O perfil de quadro suspeito prevê critérios clínicos e epidemiológicos, afirmou a infectologista Nancy Bellei. Segundo Juvêncio Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, caso haja grande número de casos, pacientes que vivem sozinhos, em boas condições socioeconômicas, poderão ser isolados em casa para que os leitos dos hospitais acolham aqueles com piores condições, e que, por exemplo, vivam em habitações com grande número de pessoas. Em declaração ao Estado, o porta-voz da OMS, Dick Thompson, recomendou que as pessoas que tiveram contato com os pacientes brasileiros sejam identificados e que se saiba exatamente o roteiro de viagem dessas pessoas. "Essas medidas são fundamentais", disse. De acordo com o Ministério da Saúde, todas as declarações de bagagem nos aeroportos estão sendo recolhidas e a busca ativa entre os passageiros está sendo feita com contatos mais próximos.Segundo a coordenadora da área de gripe da OMS, Sylvie Briand, a medida serve mais para acompanhamento do que para impedir que o vírus entre no País. EDUARDO NUNOMURA, FABIANE LEITE, EMILIO SANT?ANNA e JAMIL CHADE TIRE SUAS DÚVIDAS Quais os sintomas de um caso suspeito da gripe A(H1N1)? Febre alta repentina (maior que 38ºC) e tosse. Outros sintomas podem acompanhar o quadro gripal: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dificuldade respiratória. Como não há indícios de que o vírus A(H1N1) realiza contágios no País, só são considerados casos suspeitos aqueles que apresentaram os sintomas em até dez dias após sair de países afetados ou depois de ter contato próximo com casos suspeitos no País Como evitar o contágio? Lavar com frequência as mãos, proteger com lenços a boca e o nariz ao espirrar ou tossir, evitar tocar com frequência os olhos, o nariz ou a boca Devo usar máscara cirúrgica? A população em geral não deve usar, não há prova de que funcionem. As máscaras devem ser utilizadas apenas por pessoas que se encaixam como caso suspeito e que se dirigem aos serviços de saúde, além dos profissionais envolvidos no seu atendimento e na inspeção dos meios de transporte Devo tomar remédio mesmo sem sintomas? Ninguém deve tomar medicamento sem indicação médica. A automedicação pode mascarar sintomas, retardar o diagnóstico e até causar resistência ao vírus Quando preciso procurar uma unidade de saúde? Quem vier de um país afetado e sentir os sintomas em casa em até dez dias depois do retorno da viagem deve procurar a unidade de saúde mais próxima e informar o seu roteiro de viagem. O mesmo procedimento deve ser adotado por quem teve contato com um caso suspeito e tem sintomas em até dez dias Há vacina? Ainda não existe vacina contra o novo subtipo de vírus, mas há promessas de pesquisas. A vacina contra gripe comum não protege contra a nova gripe A(H1N1) Devo evitar aglomerações? O Ministério da Saúde aponta "evitar aglomerações e ambientes fechados" como uma forma de prevenir qualquer gripe, não só a causada pelo novo vírus Devo evitar viajar? A OMS não recomenda restrições para viagens Posso comer carne suína? Sim. Não há evidências de que a doença seja transmitida por ingestão de carne de porco. O vírus morre quando o alimento é aquecido a mais de 70°C A doença é sempre grave? A OMS afirma que é cedo para traçar um perfil da gravidade da gripe suína. A maior parte dos infectados até agora sobreviveu. No entanto, em algumas pandemias anteriores, o vírus tornou-se mais perigoso em uma segunda onda da doença. Serão necessários novos estudos científicos para avaliar o grau de letalidade e o impacto do vírus A(H1N1)