Igreja pede apuração sobre promotor

Bruno Tavares e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo

Universal quer informação sobre entrega de vídeo sigiloso à Globo

A Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) entrou com pedido de abertura de sindicância para apurar a conduta dos promotores do Ministério Público Estadual (MPE) que denunciaram o bispo Edir Macedo, líder e fundador da igreja, e outras nove pessoas acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em nota divulgada ontem, a igreja diz que "se baseia em sérias denúncias sobre a conduta de alguns promotores veiculadas pela imprensa ontem (domingo)". Anteontem, o programa Repórter Record denunciou uma suposta ligação entre um dos promotores que assinaram a denúncia contra Macedo e a Globo: ele teria privilegiado a rede de TV fornecendo a ela um vídeo sigiloso no passado. A acusação feita pela Record foi alvo de uma nota do procurador-geral de Justiça, Fernando Grella Vieira. Nela, Grella disse que a denúncia contra o promotor foi apurada em procedimento da Procuradoria-Geral, em 2004. "Como nenhuma ilegalidade foi constatada, foi proposto o arquivamento do procedimento, o que foi homologado pelo Tribunal de Justiça." Grella diz que continuará depositando " irrestrita confiança no trabalho do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado e de todos os seus integrantes". E conclui: "o MPE "continuará exercendo seu papel constitucional, sempre respeitando o devido processo legal, e em hipótese alguma se deixará intimidar em razão de distorções dos fatos e insinuações perpetradas por quem quer que seja". A igreja também informou em sua nota que repudia "veementemente" a acusação de privilegiar a "Rede Record na compra de horários para a exibição de seus programas religiosos" - o MPE acusa a igreja de pagar muito mais do que o valor de mercado pelos horários da Record. Desde 2007, diz a nota, a Iurd "tenta, sem sucesso, adquirir espaços na programação nacional da Globo e do SBT". Como prova, a Iurd divulgou cópias das propostas. ESCLARECIMENTO Na reportagem "Fazenda investiga empresa de igreja", publicada no sábado, a frase atribuída ao diretor adjunto da Diretoria Executiva de Administração Tributária (Deat), Antônio Carlos de Moura Campos, foi retirada do documento assinado por Campos e encaminhado ao Ministério Público.