HC começa a testar pacientes para gripe

Lígia Formenti, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Com a nova medida, espera pelo resultado caiu para menos de 24h

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HC-FMUSP) começou a fazer testes de gripe suína em seus pacientes e nos doentes do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. A estratégia, adotada na semana passada, pretende tornar mais ágil a internação e melhorar a ocupação dos quartos. Sem o resultado, uma pessoa com suspeita de gripe tem de ficar isolada. O cuidado é adotado quando mais de um paciente apresenta sintomas. "Só podemos internar dois pacientes no mesmo quarto quando o agente causador da gripe é o mesmo", diz o diretor da FMUSP, o infectologista Marcos Boulos. Com a medida, a capacidade de internação dos dois hospitais deverá aumentar de forma expressiva. A descentralização dos exames foi um dos pontos abordados ontem, em reunião no Ministério da Saúde para discutir estratégias de combate à gripe suína. "A medida é importante não para a condução do tratamento, mas para melhorar a qualidade de assistência", defende o diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip. Segundo ele, alguns hospitais de São Paulo também começam a fazer os exames. No Estado, a secretaria da Saúde já anunciou como ocorrerá a descentralização: qualquer médico - tanto da rede pública como privada - poderá indicar o oseltamivir, que será retirado pelo paciente ou responsável em um dos cerca de 50 postos que serão implantados até sexta-feira. Basta levar a receita médica e um formulário específico preenchido. Quando os primeiros casos suspeitos surgiram, todos eram testados. Há um mês, a indicação de testes foi restrita a pacientes graves. Atualmente, três hospitais de referência são usados pelo ministério para testes de gripe suína: Adolfo Lutz (SP), Farmanguinhos (RJ) e Evandro Chagas (PA). Todos os exames com sintomas graves vão para esses laboratórios. Com o aumento de casos, o tempo de espera aumentou. Boulos conta que, no HC, era preciso esperar uma semana. Com o exame feito no hospital, o prazo caiu para, no máximo, 24 horas. O exame no HC é feito com um kit comprado do Centro de Controle de Doenças de Atlanta. A expectativa é de fazer até 300 testes por dia. Para o gerente de Vigilância, Saúde, Prevenção e Controle de Doenças da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Jarbas Barbosa, a iniciativa é bem-vinda, desde que os testes sejam bem feitos. Segundo ele, testes rápidos dão falso negativo em 50% dos casos.