Grávidas têm quatro vezes mais complicações

Alexandre Gonçalves e Lígia Formenti - O Estado de S.Paulo

Mulheres grávidas têm quatro vezes mais chances de serem hospitalizadas ao contrair o vírus A(H1N1) do que a população em geral. Foi o que mostrou um estudo publicado pela revista The Lancet e conduzido pelo Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). O último boletim do Ministério da Saúde aponta que as gestantes representam 39,5% das mortes de mulheres em idade fértil atribuídas à doença no País. O diretor do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, David Uip, afirma que há duas explicações para a maior vulnerabilidade durante a gestação. No período, o sistema imunológico naturalmente sofre uma alteração. "Além disso, com a gravidez mais avançada há uma compressão do diafragma em áreas do pulmão. Tal processo pode torná-lo mais suscetível a infecções", aponta Uip. Para o infectologista da USP, Ésper Kallás, são necessários mais estudos para confirmar as hipóteses. O médico André Lomar, do Hospital Albert Einstein, concorda e aponta que o vírus atual pode ter características próprias que o tornam perigoso para gestantes. A infectologista da Unifesp, Nancy Bellei, lembra que nas pandemias anteriores houve um fenômeno parecido. No Estado americano de Minnesota, cerca de 50% das mortes de mulheres em idade fértil durante a pandemia de 1957 ocorreu entre grávidas.