Grandes empresas prometem reduzir emissão de carbono

Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Em carta, elas cobram também mais ações do governo na área de clima

file://imagem/93/minc.jpg:1.93.12.2009-08-26.1 Dezoito empresas de destaque no cenário nacional assinaram ontem carta em que se comprometem a buscar a "redução contínua" de suas emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global. No documento, elas também se obrigam a divulgar anualmente o quanto emitiram de CO2. Conheça as emissões de carbono mundiais e o impacto econômico Ao assumir compromissos, o empresariado também cobrou ações do governo. Quer que o País lidere as negociações na conferência do clima de Copenhague, em dezembro. Pede ainda que o governo produza estimativas anuais de emissões de gases-estufa e, a cada três anos, apresente um inventário. Entre as signatárias do documento estão a Vale, o Grupo Pão de Açúcar, a Camargo Corrêa, a Natura e a CPFL Energia. A apresentação ocorreu no fórum Brasil e as Mudanças Climáticas, em São Paulo. Outra reivindicação dos empresários é que o governo simplifique a avaliação de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Por esse mecanismo, as nações ricas podem comprar créditos de carbono de projetos sustentáveis feitos em países em desenvolvimento. Essa é uma forma dos industrializados conseguirem atingir suas cotas de redução de emissões de gases-estufa. Faltam cerca de cem dias para a reunião de Copenhague, quando os países definirão as metas de redução de emissões de CO2 que valerão para o segundo período do Protocolo de Kyoto, em 2013. O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), presente ontem no evento, afirmou que o Brasil levará para Copenhague um "número" - o governo evita falar em meta - que significará um declínio da curva das emissões brasileiras de CO2. POSIÇÕES INDIVIDUAIS A senadora Marina Silva elogiou a iniciativa das empresas, mas ressaltou que ainda se tratam de posições individualizadas e não de todo um setor. Marina, que se desligou do PT e deve se filiar domingo ao PV, criticou o discurso do governo. "O governo ainda está com uma posição bastante genérica. (...) Ainda não se sabe qual é a meta que o País vai apresentar. Foi colocado que virá alguma coisa forte, significativa, mas a sociedade ainda não sabe", disse. Luiz Alberto Figueiredo Machado, embaixador que chefia as negociações de clima pelo País, diz que o Brasil trabalha para chegar a Copenhague de maneira ambiciosa. E que vai exigir o mesmo dos demais países para obter um resultado robusto. PRESSÃO DO MERCADO E RESISTÊNCIAS Roger Agnelli Diretor-presidente da Vale "Não é difícil convencer a assumir o compromisso aquelas empresas que estão na competição internacional e sofrem pressão fortíssima de seus clientes e acionistas (para reduzir as emissões de CO2)" Carlos Minc Ministro do Meio Ambiente "Existem resistências na sociedade e no governo. Nós propusemos que as térmicas a carvão e a óleo plantassem árvores como forma de compensação, por exemplo, e houve reações imensas"