Fuja de um mico fashion

- O Estado de S.Paulo

Veja o que apareceu de pior nas passarelas da última semana de moda paulistana e saiba quais tendências devem ficar bem longe do seu guarda-roupa

As semanas de moda mostram tudo o que você vai vestir na próxima estação, certo? Errado. Tudo, não. Muita coisa exibida nas passarelas pode ser mantida bem longe do seu guarda-roupa. Looks equivocados e tendências de gosto obscuro costumam pipocar em meio a coleções esmeradas e boas novidades. Na última São Paulo Fashion Week, que aconteceu entre os dias 13 e 19, na Bienal, não foi diferente. Ficaram na peneira modelitos medonhos e previsões no mínimo polêmicas para a indumentária do verão 2008. Entre criações femininas magistrais como as desenhadas pelos estilistas Alexandre Herchcovitch (inspiradas no tango) e Ronaldo Fraga (em homenagem a Nara Leão), surgiram sustos como a noiva-cadáver-de-maiô-frouxo de Samuel Cimansck e os vestidos longos ´adornados´ com franjas de cordas rústicas e metálicas de Jefferson Kulig. Enquanto o português Miguel Vieira colocou femme fatales poderosas para desfilar, numa coleção baseada em branco, preto e prata, a Triton investiu no luxo vulgar da megapatricinha Paris Hilton e da cantora Fergie, enchendo a passarela de peruas mirins. Fabia Bercsek também não foi feliz na sua releitura da rainha egípcia Cleópatra, com a global Camila Pitanga de modelo. Um seio da atriz ficou ´à deriva´ na blusa de alcinhas criada pela distraída estilista - e a saia que finalizava o look lembrava um embrulho de floricultura. Outros pecados: as ombreiras superdimensionadas de Simone Nunes e o vestido de Fause Haten para a atriz Paola Oliveira, que, coitadinha, dobrou de tamanho dentro de tanto pano. Além da concepção de alguns looks, os estilistas derraparam nas tendências para o calor. Balonês, cintura alta - ambos ainda frutos da moda inverno -, salopês (shortinhos bem justos e cavados, quase maiôs), tecidos plastificados, tons flúor ... Para a consultora de imagem e estilo Carolina Juzwiak (11/9980- 3646), a pior de todas as orientações para o verão é o balonê. "Nem todo mundo pode usar. Só fica bem nas magras ou naquelas com ombros largos e quadris estreitos, que chamamos de triângulo invertido." Segundo Carolina, trata-se de uma tendência feita para europeu ver. "Não serve para o Brasil. Aqui, a cultura é da mulher violão. E o balonê tira a proporção da silhueta feminina." Ilana Berenholc, também consultora de imagem (11/5531-3678), concorda que os volumes impostos à temporada quente são arriscados e desproporcionais - "pede um físico que não é o da brasileira típica" - e ressalta outros erros. "Os salopês, por exemplo, dão um superefeito na passarela, mas, na vida real, a coisa complica." De fato, você sairia por aí de maiô e salto alto? "Já os tecidos plastificados devem ser usados em pequena quantidade, de preferência nos detalhes. Em looks inteiros, pesam, parecem que vão grudar na pele." Outro problema apontado pela consultora é com relação aos tons flúor: "São perigosos, podem gerar combinações bem erradas, principalmente se acompanharem o preto." A cintura alta é mais um consenso das duas consultoras. "Servem apenas para as magras e com pouco busto. Não pode ter estômago alto nem barriguinha", diz Carolina. "Muito seio, pouca altura, barriga, esqueça", endossa Ilana. Não derrape nas tendências » Balonê O look balão invadiu as passarelas da SPFW, mas será que é para você? Ficam bem apenas nas magras e nas de corpo tipo ‘triângulo invertido’, diz a consultora de estilo Carolina Juzwiak. » Salopê e maiô O shortinho justo, cavado, e o maiô requintado, para a noite, parecem mais propícios ao calçadão de Copacabana. Ficam bem na Bebel, de ‘Paraíso Tropical’. Já fora das telas ou das passarelas... E já tem loja colocando a peça nas vitrines. Fuja! » Tecidos resinados São quentes demais para o verão. "Pesam", ensina a consulora de imagem Ilana Berenholc. Assim, se for usá-los, deixe-os restritos aos detalhes. » Tons flúor Podem gerar combinações equivocadas, desastrosas. Uma delas é com o preto. » Cintura alta Há quem ame, há quem odeie. Para as primeiras, atenção: só fica bem nas magras com pouco busto. Barriguinha, estômago alto, muito seio, esqueça. » Paetê "As brasileiras já estão aprendendo a usar. Não é o mais grave dos problemas", acalenta Ilana. Mas não custa lembrar: prefira as tachinhas luminosas em detalhes, use com moderação.