Família de Jacqueline vai processar agência de turismo

Emilio Sant?Anna - O Estado de S.Paulo

Tia da jovem afirma não ter recebido informações da empresa enquanto ela estava nos Estados Unidos

A família de Jacqueline Ruas, de 15 anos, vai processar a agência de turismo Tia Augusta. A jovem morreu no domingo, em pleno voo de volta dos Estados Unidos para o Brasil, após apresentar sintomas da gripe suína e receber o diagnóstico de pneumonia em excursão organizada pela empresa à Disney. Ontem, a tia da garota, Magda da Paz Santos, confirmou ao Estado que um advogado deve ser contratado até sexta-feira para representar a família e desmentiu as declarações do gerente executivo da agência, Filipe Fortunato, de que todas as informações foram repassadas aos parentes enquanto a garota estava nos EUA. Uma reunião marcada para ontem, entre a empresa de turismo, a família de Jacqueline e de outros jovens que participaram da excursão, foi desmarcada. De acordo com a assessoria da empresa, o encontro foi cancelado por um problema com o médico que esclareceria as dúvidas. "Simplesmente não nos deram informação alguma enquanto ela estava nos EUA", diz Magda. "Só conseguimos falar com ela porque eu consegui o número de uma das guias." Anteontem, em coletiva de imprensa promovida pela agência, o gerente executivo da empresa, Filipe Fortunato, afirmou que a família manteve contato com a garota enquanto ela estava nos EUA. Levada ao Hospital Celebration, na Flórida, a empresa afirma que o resultado dos exames indicou uma "pneumonia leve", informação que Magda diz nunca ter sido repassada à família. "Se soubéssemos disso teríamos entrado em contato com um médico aqui no Brasil para saber como proceder", diz. "Ela poderia até ter morrido, mas teríamos acompanhado todo o processo", afirma. Ao ser liberada do hospital, Jacqueline recebeu orientação para procurar um médico caso apresentasse sintomas como respiração ofegante ou tontura. No desembarque no Panamá, a garota reclamou de cansaço e tontura. Para Magda, é mais um indício de negligência da empresa. "Foi uma sucessão de negligência que terminaram com a morte dela", afirma. Segundo o Instituto Médico Legal (IML) de Guarulhos, o laudo sobre a morte sai em cerca de um mês e depende de exames que ficam prontos em 20 dias. A Polícia Federal assumiu a investigação da morte da adolescente. Segundo a assessoria do órgão, ainda não há uma data exata para o início das investigações. COLABORARAM MARIANA MANDELLI e FELIPE ODA FRASES Magda da Paz Santos Tia de Jacqueline "Foi uma sucessão de negligências que terminaram na morte dela" "Só consegui falar com ela porque eu consegui o número do rádio de uma das guias" Filipe Fortunato Gerente executivo da Tia Augusta "Ela não tinha febre nem tinha dificuldade respiratória no Panamá"