Escolas de SP adotam medidas de prevenção à gripe na volta às aulas

Mariana Mandelli - O Estado de S.Paulo

Colégios pedem que alunos não compartilhem objetos, além de suspender jogo coletivo e atividade em local fechado

Na volta às aulas da maior parte dos 9 milhões de estudantes das redes pública e particular de ensino básico e superior do Estado de São Paulo, as escolas vão adotar, a partir de hoje, uma série de medidas para evitar a propagação da gripe suína. Além da colocar à disposição dos alunos álcool gel e copos descartáveis, há colégios recomendando que as crianças não compartilhem brinquedos, objetos pessoais e material escolar. Outras pretendem evitar jogos coletivos, suspenderam atividades em locais fechados e estão desligando os aparelhos de ar-condicionado. Veja mais informações sobre a pandemia de gripe no mundo Outros Estados que tinham adiado o início das aulas também retomam as atividades hoje - entre eles Paraná, Rio e Rio Grande do Sul. Em Minas, as escolas da rede estadual tinham voltado na semana passada. Há instituições e municípios, porém, que decidiram manter as férias por mais algumas semanas. A maior preocupação agora é com funcionárias,professoras e alunas grávidas. Parte dos colégios tem optado por afastá-las temporariamente. PRECAUÇÃO As medidas adotadas em São Paulo variam de acordo com o perfil da escola. No Colégio Oswald de Andrade, o ar-condicionado foi desligado e, no refeitório, bandejas, canecas e talheres foram retirados. Os alimentos serão entregues embalados. Já a Escola Castanheiras pede para os pais enviarem um kit com lenço de papel e garrafa de água. No Miguel de Cervantes, os alunos devem sair da classe ao fim de cada aula. A natação foi suspensa. No colégio Guilherme Dumont Villares a recomendação é para que as crianças e jovens não compartilhem MP3 players e celulares. "Quanto menos atividades que envolvam manuseio de objetos melhor", explica Ana Sigaud, coordenadora de marketing do Colégio Pentágono. A escola vai retirar as almofadas e tapetes das salas infantis e suspender as aulas de culinária e oficinas de massinha. Algumas escolas particulares também resolveram afastar as funcionárias grávidas. O Colégio Santa Amália, por exemplo, afastou três gestantes e o Rio Branco prorrogou as férias delas em mais uma semana. No Sesi e no Senai, o afastamento de 180 funcionárias grávidas está em discussão. A atitude das escolas, que vêm se comunicando com os pais durante o recesso, acalma as famílias. Mãe de duas meninas, de 5 e 8 anos, que estudam no Pentágono, a empresária Silvia Tortorella, acredita que as escolas estão preparadas. "As instituições devem ter consciência de que estamos em um momento de atenção", disse. O estudante do colégio Rio Branco Fabio D?Arienzo, de 15 anos, também está tranquilo em relação ao retorno às aulas. "Recebemos as orientações de higiene e acho que meus colegas vão agir com cuidado." Apesar das medidas anunciadas, alguns pais ainda temem a volta às aulas, especialmente nas escolas públicas. A doméstica Nice Nascimento, de 48 anos, mãe de Camila, de 17, e Mariana, de 12, teme pela saúde das filhas. "Não estou confiante, mas elas não podem perder o ano." Para a rede pública estadual, a Secretaria da Educação realizou na semana passada uma videoconferência com o objetivo de orientar 210 mil professores e distribuiu para as escolas 36 mil cartazes com orientações sobre gripe suína. Os alunos devem receber informativos elaborados pelo Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). Além disso, a partir de hoje, professores poderão acessar e imprimir atividades didáticas sobre o tema no site da secretaria (www.educacao.sp.gov.br). A recomendação para a rede pública é cumprir o calendário de 200 dias letivos, com reposição das aulas adiadas. No caso da rede municipal de São Paulo, a prefeitura determinou reposição aos sábados. FRASE Ana Sigaud Coordenadora de marketing do Colégio Pentágono "Quanto menos atividades que envolvam manuseio de objetos melhor (para evitar a contaminação pelo vírus H1N1)" TIRA DÚVIDAS Deve ser proibido o uso de objetos que alunos compartilham? É preciso ter alguns cuidados com objetos pessoais porque a gripe é transmitida por gotículas de secreções respiratórias que contêm o vírus, espalhadas pela tosse, espirros e durante a fala Deve-se intercalar intervalos e horários de entrada e saída? Sempre que for possível, é melhor evitar aglomerações porque elas facilitam a transmissão do vírus É necessário afastar funcionárias grávidas? A Secretaria da Saúde recomenda que os estabelecimentos de ensino transfiram temporariamente as gestantes para setores onde haja menor risco de exposição à gripe. Na impossibilidade da transferência, alternativas legais de afastamento temporário podem ser consideradas, como licença É necessário cancelar eventos, feiras, festas e excursões? Por enquanto, não. Atividades ao ar livre, porém, são as mais recomendadas Alunos com sintomas de gripe devem ir para a escola? Não. A recomendação é ficar em casa até que o período de transmissão do vírus termine Se um aluno leva para escola um atestado que comprova que não está gripado (tem bronquite, por exemplo), mas ele não para de espirrar, o que fazer? Deve ser monitorado. Caso tenha febre ou piora do quadro, deve ser encaminhado ao médico Haverá reposição das aulas? Na rede particular, cada escola definirá a melhor forma. Nas públicas, a recomendação é cumprir os 200 dias letivos