Em cena - Decifrando o RG da moda

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

A consultora de moda Gloria Kalil pergunta: ?Os italianos têm design, os franceses têm marca, os americanos têm mercado interno, os chineses têm preço e nós, temos o quê?? Vontade de fama e falta de desconfiômetro Wannabe, acho. Isso porque desde que inventaram a bobagem de que a moda brasileira está na moda, muita gente quer, como dizia Warhol, seus 15 minutos de fama, entrando para o métier. Mas falta base técnica educativa, trabalho oficializado, bons tecidos e o mercado externo é redux. Com esse questionamento, Glorinha dá continuidade ao Fashion Marketing, que trará 11 palestrantes nos dias 17 e 18 ao WTC, em SP. Virão: Vittorio e Margherita Missoni, da marca que leva o nome da família italiana; o jornalista inglês Colin McDowell, do Fashion Fringe; o diretor de arte da GB65, Giovanni Bianco; Barbara Kolsun, vice-presidente dos jeans 7 for All Man Kind; Vicente Donini, presidente do grupo Marisol; o consultor Ucho Carvalho; a designer Daniella Helayel, da Issa London; Fern Malis, da IMG; Demian Fioca, do BNDES; e Xavier Mayer, vp do Morgan Stanley, que caça talentos pelo mundo para projetá-los internacionalmente. Em conversas com alguns desses personagens do cenário, há uma pré-conclusão. O ponto crucial para investidores, apontado por Xavier, é ter uma empresa formal, com empregados declarados e estrutura - um trabalho retilíneo e comme il fault pelo estilista Alexandre Herchcovitch. Bianco, que falará sobre a importância da imagem, se fez na cena como comunicador visual. Acaba de fazer para a Dolce e Gabbana um livro com participação de artistas emergentes que interpretam a história da D&G. Ele diz: ?Não existe um valor isolado. Há o valor intrínseco da marca, é necessário um trabalho de vitrine e que captar o l?air du temps, conviver com esses personagens, tocar impressões, para fazer uma campanha que crie o desejo para um momento efêmero. E tudo isso tem de ser aliado à velocidade de entrega.? É conveniente usar a mídia espontânea movida por celebridades. Daniella Issa estourou em Londres vestindo meninas do high e celebs, assim como a 7, presidida por Barbara Kolsun, que hoje se preocupa com pirataria: ?Principalmente no eBay; é necessário controle.? E mais que tudo, como diz Glorinha: ?É necessário fazer moda global, porém com identidade brasileira.? Há que assumir nossa brasilidade - e para descobrir qual seria tal identidade, o Fashion Marketing encerra com mesa-redonda entre Gilberto Gil, José Miguel Wisnik e Paulo Borges, do SPFW. Você imagina qual seria essa identidade? Mande e-mail para a coluna. Giro Na Monica Filgueiras, Lucio Carvalho abre a expo Coisas Frágeis Protegidas por Paredes de Vidros em que a nova são móveis. E Elisa Stecca se junta à bordadeira Juliene Buongermino para produzir instalações que tenham duplo uso: como jóia e objeto. Rock it Steven Tyler convidou a M.A.C para a turnê Aerosmith pela AL, que começa hoje no Morumbi. Vanessa Rozan assina o make (à direita): olhos bem pretos e maquiagem siliconada com Fix de chá verde e hidratante Prime. E boca bege. Pervasive art Um visitante ilustre chega hoje a São Paulo: Gary Baseman, o artista pervasivo. Os colecionadores de Toy Art adoram seus bonequinhos de vinil, editados pela Kid Robot, Critterbox, Toy2R. Mas Gary vai muito além. Ele não gostava muito dos termos com que os críticos definiam sua obra e inventou um: Pervasive Art. ?É um movimento maravilhoso, que quebra as barreiras entre belas-artes e arte comercial, e deselitiza a cultura?, teoriza Gary. Mas se é comercial, como pode ser arte? ?Contanto que você se mantenha fiel a si próprio, não vejo problema em aplicar desenhos em skates ou camisetas?, responde, na lata, mr. Baseman. Ele está superanimado para vir ao Brasil. Vem a convite de Nina Sander, da Galeria Plastik e da revista Pix. Será a estrela da expo de Munnys - os toys faça você mesmo - que foram customizados por figuras como Sandro Akel, João Gordo, Ju Jabour, Highraff e Speto, entre muitos outros. A abertura é na quarta-feira. Além disso, ele pretende flanar pela cidade e desenhar por aí tomando caipirinhas. Show Fenômeno é Paulo Autran, não só Ronaldo. Com temporada esticada de O Avarento até julho, começa a costurar novo projeto. Fará com sua Karin Rodrigues Love Letters, de A.T. Gurbey, traduzida por Priscila Forbes. É sobre um casal que troca cartas durante toda vida e tem um quê a ver com a dos dois. Encantos mil Amigos de todo o globo de Mario Testino se programam para estar no Brasil mês que vem. O Crystal Room do Copa Palace está reservado para a festa em 16 de maio para comemorar a nomeação do fotógrafo peruano como cidadão carioca pela Câmara dos Vereadores. Desde os 14 anos, Mário vinha ao Brasil seguindo conselho de Carine Roitfeld, da Vogue França - para que olhasse para suas raízes para criar uma estética ímpar - começou a inspirar-se nas praias, mulheres latinas, principalmente brasileiras. E se apaixonou. Novo spot Imagine uma agência ?que combina a Apple Store da Bleecker St., em N Y, com o ateliê do artista Ernesto Neto no Cais do Porto?. Washington Olivetto descreve assim sua nova agência W/Brasil, que não terá nenhum fio à mostra, porque ele odeia. Sabe que... A fila andou para Cássia Ávila, que afina sintonia com André Szajman, da Trama, assim como Rico Mansur com a modelo Isabeli Fontana. Já Carol Francischini, que quase perde posto de anjo da Victoria?s Secret pela minoridade, chega de São Francisco para festa de Matheus Mazzafera e Simone Abdelnur chez Bruno Garfinkel A agência Pepper, de Anuar Tacach, e a Adidas produzem em Paris cenas ligadas a maratona, onde dos 40 mil corredores quase 500 são brasileiros. Organizarão um carb-dinner no Chez Flottes e uma festa pós-prova no Favela Drausio Gragnani juntou a sua estréia nos 34 e a da nova agência Gragnani fazendo miniexpos ao som de rock e samba: uma homenageia Marcantônio Vilaça; a outra, Leonílson, que completaria 50 anos Novo studio de yoga na Franca: o Satya Mandir, com ashtanga e power - especialidade de Renata Quirino. Tem yoga-kid e restô veggie com vinhos by Gabriela do Fasano Às voltas com a bio de Walter Moreira Salles, Luis Nassif lança hoje na Cultura Os Cabeças de Planilha, paralelo entre o Plano Real e o Encilhamento - a especulação resultante da política monetária de Rui Barbosa - e explica por que sufocaram o crescimento do País. 5minutos com Surface2Air Após abrir loja em SP, o coletivo francês - capitaneado por Jeremy Rozan -, administrado no País por Karina Motta e Seb Borth, lança a agência Surface2Air 1. Como definem a agência Surface2Air? Uma agência de consultoria e direção de arte pluricultural. A base é em Paris. Trabalhamos em colaboração com artistas do mundo todo, que fazem parte das lojas Surface e da Rendez-vous, feira de novos designers que fazemos na temporada de moda de Paris. 2. E isso proporciona... Sinergia global e natural. A gente vive e forma os movimentos culturais, o que nos coloca à frente das agências tradicionais, que têm de pesquisar e criar o universo ideal para um target. Montamos a loja Loveless para a Burbery no Japão, fizemos o clipe do Justice vcs Simian, ganhador na MTV Europa. 3. Há algum primeiro trabalho no Brasil? Uma instalação que aparecerá atrás dos DJs do Skolbeats como videoarte. Colaboração: Ana Carolina Fialho e Raquel Fortuna