Em 32 anos, grupo foi acusado pelo menos nove vezes de práticas ilegais

Lucas Frasão - O Estado de S.Paulo

Uma dezena de obreiros colava folhetos em postes convidando as pessoas para assistirem às reuniões. Assim era feita a divulgação da Igreja Universal nos primeiros anos de sua existência. Começou em julho de 1977, improvisada em um coreto no Jardim do Meier, no Rio. Depois de 32 anos, está presente em 176 países no mundo. A ideia de Edir Macedo conquistou adeptos rapidamente. Nos anos 1980, ele já havia construído templos em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia. A primeira unidade da igreja no exterior - a Universal Church of the Kingdom of God, no Estado de Nova York, nos Estados Unidos - foi inaugurada em 1986. Em 1992, chegou à África do Sul. Hoje, apenas no Brasil, existem cerca de 5 mil templos. Parte da história da Igreja Universal foi retratada no livro O Bispo, A História Revelada de Edir Macedo (ed. Larousse do Brasil, 2007), uma biografia autorizada sobre o fundador da igreja. A capa traz uma foto que mostra Edir Macedo lendo a Bíblia dentro de uma cela de cadeia, em 1992, quando esteve preso durante 15 dias. Naquele ano, o Ministério Público (MP) denunciou Macedo por "delitos de charlatanismo, estelionato e lesão à crendice popular". O episódio ficou marcado como o primeiro de uma série de denúncias posteriores envolvendo a Igreja Universal. De lá para cá, o grupo foi acusado pelo menos nove vezes por práticas que envolviam desde discriminação religiosa até o uso de documentos falsos e sonegação fiscal. Em 1997, por exemplo, o bispo Sérgio Von Helde foi indiciado por ofensa à fé alheia. Ao apresentar um programa na televisão, ele chutou e deu socos em uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de outubro, data em que os católicos celebram a santa.