Eles querem falar, falar, falar...

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

A bola de capotão foi substituída pelo jogo de futebol no videogame. O carrinho de madeira foi trocado pelo de controle remoto e, como já era de se esperar, o telefone de plástico foi deixado de lado pelas crianças, que exigem dos pais um celular - de última geração - que tira fotos em alta resolução, toca música e filma. Ao que tudo indica, não há como evitar essa realidade. A geração da modernidade está em alta entre os pequenos, que sempre querem mais. Por ser uma etapa única na vida das crianças, a fase escolar é onde se forma o primeiro círculo de amizade, com novas experiências e sensações. Para os pais, esse momento exige acompanhamento dobrado. Hoje em dia, entre os teens, a sensação da vez é ter um celular. De acordo com uma pesquisa encomendada pelo canal pago Cartoon Network, cada dez crianças entre 7 e 15 anos, seis têm celular. No levantamento, as crianças que responderam ter o aparelho móvel totalizaram 62% dos entrevistados. ´Adoro brincar com os joguinhos do meu telefone. Fico competindo com os meus amigos e sempre venço. Só não gosto quando meus pais ficam ligando para saber o que estou fazendo´, revela o estudante Bruno Silva, de 10 anos. Segundo a psicóloga e pedagoga Miriam Ângelo Gnan, ele pode ser um aliado na organização das tarefas, tanto para os pais quanto para os filhos, abrangendo tópicos importantes como socialização, comportamento e segurança. Porém, é preciso orientação ao uso correto do aparelho no ambiente escolar. ´Ele ajuda na familiarização com a tecnologia, facilita a comunicação e a socialização. Os alunos, desde pequenos, devem fazer uso dessas tecnologias. Não para competirem ou dar valor a um consumismo exagerado, mas como algo que traz alegria, coisas boas e aprendizagem´, garante. Para ela, os celulares dispõem de ferramentas como agenda, serviços de localização, funções multimídia e um universo de possibilidades. ´Cabe à escola e aos professores idealizarem projetos para o uso consciente junto aos alunos, além de orientar os pais neste processo.´ A estudante Camila Fernandes, de 8 anos, pediu para a sua mãe, a decoradora Cecília Fernandes, de 37 anos, um celular que tirava fotos e tocava músicas. ´Todos os meus colegas de classe ganharam um celular dos pais. Minha mãe não queria me dar, mas insisti e ganhei o meu´, conta a garota. ´Não via necessidade de comprar um telefone para ela. Além de mim, com quem ela vai falar?´, questiona a decoradora. Aposta no consumidor teen Os fabricantes de celular estão de olho na garotada e, cada vez mais, desenvolvem produtos para o público infantil. A Pantech, por exemplo, é uma empresa que está investindo pesado nesse mercado.O Panstyle Moderno, com funções e serviços que atendem tanto às expectativas das crianças quanto dos pais, com tecnologia e custo relativamente baixo (R$ 199 e R$ 399).