Elas estão sob pressão

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Junto ao tabagismo, o diabetes e as dislipidemias (alterações da concentração de lipídeos no sangue), a hipertensão forma uma espécie de quarteto fatal para a saúde cardiovascular. A Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) calcula que 40% das mortes por acidente vascular cerebral (AVC) e 25% das mortes por enfarte aconteçam por causa de uma pressão arterial fora de controle. E dados do Ministério da Saúde mostram que o problema atinge de 15 a 20 milhões de brasileiros, ou seja, uma a cada cinco pessoas. Nesta quinta, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, o alerta da SBH será para o aumento de casos da doença entre crianças e adolescentes. Mas há um público que sofre ainda mais com o problema e é deixado de lado em pesquisas e ações de conscientização: as mulheres acima dos 50 anos de idade. ´Sempre se achou que a hipertensão era um problema tipicamente masculino. Por isso, as campanhas e pesquisas sempre focaram os homens´, explica o cardiologista Otávio Gebara, professor livre docente da Faculdade de Medicina da USP. ´Eles morrem mais cedo, mas elas, como vivem mais, acabam tendo o problema mais tarde´, completa. Até os 50 anos de idade, a saúde cardiovascular feminina é protegida pelos hormônios do ovário (em especial, pelo estrogênio). Depois da menopausa, quando perde esses hormônios, a mulher está mais sujeita a riscos cardiovasculares. Um estudo sobre hipertensão realizado por especialistas da London School of Economics, do Instituto Karolinska (Suécia), e da Universidade do Estado de Nova York calculou que, até 2025, existirão cerca de 1,56 bilhão de pessoas hipertensas no mundo. Isso representa um aumento de 60% em relação aos números atuais. Mas, enquanto estudos sobre a doença mostram que a incidência da hipertensão tem caído entre homens acima dos 50 anos, o problema só aumenta entre as mulheres na mesma faixa etária. ´Quando se fala em saúde da mulher, quase sempre é sobre a mulher jovem. É preciso focar nessa população mais madura´, diz Gebara. A pressão ideal, segundo o cardiologista Jairo Lins Borges, do Instituto de Cardiologia Dante Pazzanese, deve ser abaixo de 12 por 8. ´Desde que a pessoa se sinta bem´, complementa o especialista. Isso porque a pressão tende a aumentar com o passar dos anos. Dados como esses demonstram que o controle da pressão arterial - além dos cuidados com a alimentação - devem se intensificar a partir dessa idade. Se o problema não se resolver apenas com mudanças comportamentais, é importante procurar um médico, que fará a indicação do melhor tratamento.