Economia sem frescuras

Ciça Vallerio - O Estado de S.Paulo

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linkDÚVIDA DO MOMENTO

Fundos x poupança

A taxa de juros de 8,75% ao ano ainda tem provocado a migração de investimentos dos fundos de renda fixa, principalmente os DI, para a caderneta de poupança. O economista especializado em mercado financeiro, Francisco Carlos Barbosa dos Santos, que também é professor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e da Fundação Instituto de Administração (FIA), fala sobre isso.

 

Mudar de aplicação é uma decisão acertada?

A decisão foi lógica. Com a queda da taxa de juros básica, os fundos de investimento – que aplicam, principalmente, em títulos públicos – vão diminuir a rentabilidade, pois terão ainda desconto do imposto de renda e as taxas de administração. Com isso, a rentabilidade fica próxima à da caderneta de poupança, na qual não incide Imposto de Renda. Dependendo da taxa de administração cobrada pelo fundo, a caderneta de poupança pode apresentar uma rentabilidade até mais alta. Por exemplo: um fundo DI que cobre uma taxa de administração da ordem de 1,5%, em média, tem uma rentabilidade de 6%, já descontando-se o IR. Já a caderneta de poupança pode chegar a 6,30%.

 

A poupança está voltando a ser uma boa alternativa de investimento?

Sim, justamente porque essa aplicação está isenta do pagamento de IR e, portanto, apresenta uma rentabilidade próxima a de alguns fundos conservadores. Além do mais, o risco de perda da caderneta de poupança é menor, e está assegurado – até o valor de R$ 60 mil – pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que não ocorre com os fundos de investimento. Com a queda gradual da taxa de juros, a caderneta de poupança torna-se mais atrativa para os pequenos investidores.

 

Qual é a desvantagem da caderneta de poupança?

Apesar de ter liquidez diária, ou seja, possibilidade de resgate imediato do dinheiro, os saques realizados antes da data de aniversário, mensal ou trimestral, fazem com que se perca o rendimento do período sobre o valor sacado. Mas vale lembrar que se paga Imposto de Renda sobre aplicações em fundos de investimento de acordo com o tempo de permanência no banco, de forma decrescente – a alíquota do IR vai diminuindo conforme a permanência do investimento no banco vai aumentando.

 

Para quem tem dinheiro aplicado em fundos, como avaliar se compensa transferi-lo para a caderneta de poupança?

Tudo depende da taxa de administração que o banco cobra e do tempo de permanência do investidor no fundo (pois a alíquota do IR vai diminuindo com o tempo). Porém, deve ser considerado o seguinte: fundos que acompanham a taxa básica de juros da economia – por exemplo, fundos DI, produtos DI ou de renda fixa –, cujas taxas de administração são maiores que 1,5%, têm rendimento líquido menor que o da poupança, independentemente do tempo da aplicação.

 

Quando o saque do fundo deve ser evitado?

Sempre que um fundo apresentar desvalorização das cotas, o investidor não deve se desesperar e retirar o dinheiro investido. Muitas vezes, vale a pena esperar para ver se, no longo prazo, o valor da cota se recupera. Além disso, uma boa estratégia para o pequeno investidor é procurar diversificar seus investimentos. A dica seria aplicar também em títulos do tesouro brasileiro, por meio do site www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/. Nele, o investidor encontrará uma pequena cartilha sobre como aplicar.

 

linkTROCANDO EM MIÚDOS

A sigla para Produto Interno Bruto (PIB) aparece constantemente no noticiário, que anuncia com destaque seu crescimento ou queda. No cotidiano, porém, parece estar distante da vida das pessoas. O que não é verdade, conforme explica Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo:

– É a principal medida da atividade econômica de um país, pois registra a quantidade total de bens e serviços produzidos em determinado período, seja no trimestre ou no ano. Essa produção total está associada à geração de emprego e de renda, porque, para produzir algo, as empresas precisam contratar trabalhadores, comprar matérias-primas e máquinas. Assim, quanto maior o crescimento do PIB, maior é a oferta de emprego e renda, e vice-versa.

 

Quando o PIB aumenta, significa que as empresas produziram mais bens e serviços para suprir a demanda de consumo da população, governo e interessados de outros países (exportação). A queda do PIB, acrescenta Ulisses, significa queda na produção, na contratação e na geração de renda, o que caracteriza uma recessão. Para o especialista, o cenário provável até o fim deste ano será de desemprego, o que significará menos consumo e baixa na produção.

 

linkCONSULTA DE LEITORA

O gerente do meu banco me ofereceu títulos de capitalização. São boas opções de investimento? Suzana, de São Paulo.

Os títulos de capitalização não são considerados investimentos, como ações, caderneta de poupança ou fundos de renda fixa. Funcionam como uma forma de poupar, só que, além disso, se concorre a prêmios. Porém, ao compará-los à caderneta de poupança, um dos investimentos de menor risco no mercado, perdem em rentabilidade, pois, ao final do plano, o resgate é de 100% do valor investido, corrigido pela TR. Já as cadernetas rendem, mensalmente, 0,5% mais a TR. Além disso, no caso dos títulos, resgates antes do término do plano podem significar perdas, mas, com relação à poupança, é possível resgatar o valor investido a qualquer momento.

 

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