Diminui o ritmo de desmate na Amazônia

Herton Escobar e Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Mesmo assim, devastação em 12 meses atinge 12,9 mil km2, uma área equivalente a quase metade do Estado de Alagoas, segundo o Inpe

Números preliminares sobre o desmatamento da Amazônia apontam para uma tendência de queda no ritmo de derrubada da floresta em 2009. Segundo os dados mais recentes do sistema Deter, divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desflorestamento acumulado nos últimos 11 meses (de agosto de 2008 a junho de 2009) caiu 55% em relação ao mesmo período de 2007-2008. Porém, segundo especialistas ouvidos pelo Estado, ainda é cedo para dizer se essa tendência se confirmará nas estatísticas finais - apesar das garantias otimistas do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de que o desmatamento em 2008-2009 "o menor dos últimos 20 anos". Confira a série histórica do desmatamento, mensal e anual "Não há como afirmar isso ainda", disse o coordenador do Programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano. A principal razão é que 43% da região permanece coberta por nuvens e ainda não foi observada pelos satélites - incluindo várias frentes importantes de desmatamento no Pará. Além disso, é preciso levar em conta mudanças no padrão de desmatamento na Amazônia, que está cada vez mais fragmentado em áreas menores, que não são detectáveis pelo Deter. O sistema só identifica clareiras maiores do que 25 hectares. "O que o Deter consegue enxergar está cada vez menos relevante", afirma Valeriano. As estatísticas oficiais de desmatamento são calculadas por um outro sistema, chamado Prodes, que utiliza imagens de melhor resolução - e que só é calculado uma vez por ano. No final, mesmo faltando apenas um mês para fechar o calendário de monitoramento da Amazônia (que vai de agosto de um ano a julho do outro), é provável que essa tendência de queda seja alterada pela inclusão de áreas desmatadas que ainda estão encobertas no Pará e de desmatamentos menores, que ainda não apareceram no Deter - mas que vão ser detectadas no Prodes. O relatório de julho do Deter ficará pronto no fim deste mês. AUMENTO MAIOR O número oficial do Prodes para 2007-2008 também foi divulgado ontem. Segundo o Inpe, foram desmatados 12.911 quilômetros quadrados de floresta no período - uma área equivalente a quase metade do Estado de Alagoas. São 943 km² a mais do que a estimativa divulgada no fim do ano passado, de 11.968 km² - uma variação de 7,3% que, segundo o Inpe, está dentro da margem de erro de 10%. Ainda assim, a variação é significativa. O número revisado (12.911 km²) representa um aumento de 12% em relação ao desmatamento de 2007 (11.532 km²), em vez dos 3,7% calculados com base na estimativa anterior. Foi o primeiro aumento na devastação anual registrada pelo Prodes desde 2004. Este ano, a expectativa do ministro Carlos Minc é que o desmatamento fique entre 8 mil e 9 mil quilômetros quadrados. Só assim o governo conseguirá cumprir a meta estabelecida no Plano Nacional de Mudanças Climáticas, de reduzir em 40% a média anual de desmate no período 2006-2009, em comparação com a média dos dez anos anteriores. Para isso, o desmatamento acumulado no quadriênio atual não poderá passar dos 46.800 km², segundo cálculos feitos pelo Estado. Na soma dos três últimos anos já foram desmatados 38.552 km², o que deixa um "saldo" de apenas 8.248 km² para desmatar em 2009 sem estourar a meta do plano. "Apesar do mês de julho, que costuma ser o mês horrível, vamos ter com certeza o menor desmatamento dos últimos 20 anos, quando começou a ser feito esse levantamento", afirmou Minc ontem, em Brasília. COLABOROU LISANDRA PARAGUASSÚ