Degradação em 2008 foi o dobro do desmatamento

Herton Escobar e Afra Balazina - O Estado de S.Paulo

Novo sistema do Inpe registrou 27.417 km² de áreas onde houve queimadas ou exploração de madeira

No mesmo ano em que o sistema Prodes registrou 12.911 km² de desmatamento na Amazônia (2007-2008), um novo sistema de monitoramento registrou mais que o dobro disso (27.417 km²) em áreas de florestas degradadas, que sofreram queimadas ou exploração predatória da madeira. Os números do novo produto, chamado Degrad, foram divulgados ontem pelo Inpe, junto com os dados do Prodes e do Deter - todos sistemas de monitoramento por satélite, com finalidades diferentes. A proposta é que o Degrad funcione como uma ferramenta de alerta para áreas que ainda não foram desmatadas, mas estão caminhando nessa direção. "Há um processo de degradação da floresta que muitas vezes é progressivo - começa com a exploração de madeira, passa pelo fogo e chega ao desmatamento", disse o Estado o coordenador do Programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano. Segundo ele, o Degrad visa a "consertar uma informação que era enviesada". "Quando as pessoas veem aquelas áreas verdes nas imagens de satélite do Prodes ficam com a impressão de que ali há uma floresta intacta. Mas não é isso", diz ele. "A floresta está degradada. Ela simplesmente não foi convertida em pasto ou agricultura ainda." O Degrad cobre o mesmo período (agosto a julho) e utiliza as mesmas imagens do Prodes. O primeiro relatório cobre os anos de 2007 e 2008. O sistema detecta áreas em que a degradação é tão forte que o solo da floresta fica exposto. Em 2007, a área degradada observada foi de 15.987 km², dos quais 12% viraram desmatamento em 2008. O Estado com maior área degradada em 2008 era Mato Grosso (12.988 km²). REDUÇÃO Mato Grosso, por outro lado, registrou uma forte queda no desmatamento calculado pelo Deter (sistema de menor resolução, que faz medições mensais). No acumulado de 11 meses, de agosto de 2008 a junho de 2009, a redução foi de 71%. O governo do Estado agora terá de responder à mesma pergunta que foi feita ao governo federal nos três anos em que o desmatamento da Amazônia caiu, entre 2004 e 2007: a queda deve-se a ações de governo ou a pressões de mercado? Salatiel Araújo, secretário adjunto de Meio Ambiente de Mato Grosso, diz que as ações de governo foram fundamentais. Mas reconhece que a crise econômica refletiu bastante no cenário. "Houve o fechamento de frigoríficos, o que desestimulou o desmatamento."