Cristóvão Tezza ganha Jabuti de romance

Ubiratan Brasil - O Estado de S.Paulo

Escritor catarinense foi escolhido por sua obra ?O Filho Eterno?, em que transforma em ficção sua experiência com o filho com síndrome de Down

A difícil relação entre pai e filho garantiu ao escritor catarinense Cristóvão Tezza o principal prêmio das 20 categorias do Prêmio Jabuti, resultado divulgado ontem pela Câmara Brasileira do Livro. Com O Filho Eterno (Record), Tezza ficou em primeiro lugar no quesito romance, à frente de O Sol se Põe em São Paulo (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho, que ficou em segundo, e de Antônio (Editora 34), de Beatriz Bracher, terceiro colocado. Veja a lista completa com as 20 categorias do Jabuti "Foi realmente uma surpresa", confessou o escritor, ao ser informado pelo Estado da premiação. Autobiográfico, O Filho Eterno reconstitui sua relação com o filho deficiente. O trabalho de linguagem encantou crítica e leitores - Tezza revela as limitações físicas e intelectuais da criança com síndrome de Down com objetividade clínica. "Essa união da realidade com a ficção encantou especialmente as pessoas, que enxergaram também a retrospectiva de uma geração", comenta o autor, que vai receber um troféu e o prêmio de R$ 3 mil, a serem entregues no dia 31 de outubro, em cerimônia na Sala São Paulo, quando também serão anunciados o Livro do Ano de Ficção e o de Não-Ficção, cada um ganhando R$ 30 mil. Com o Jabuti, O Filho Eterno prossegue uma trajetória de sucesso, uma vez que também foi eleito o melhor romance do ano passado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e é forte candidato para figurar entre os finalistas do Prêmio Bravo! Mas a vitória de ontem pode diminuir sua chance no Prêmio Portugal Telecom, que paga R$ 100 mil para o vencedor. O anúncio acontece em 29 de outubro. Entre os infantis, Bartolomeu Campos de Queiroz ficou em primeiro, com Sei Por Ouvir Dizer (Edelbra), com destaque para o segundo colocado, o colunista do Estado Ignácio de Loyola Brandão, autor de O Menino que Vendia Palavras (Objetiva). Na edição deste ano, a comissão julgadora analisou 2.141 obras. Na categoria contos e crônica, a escolha ficou com Histórias do Rio Negro (WMF Martins Fontes), de Vera do Val, conjunto de relatos sobre os homens que convivem na região amazônica, entre a pobreza e a sensualidade. Entre os poetas, o júri preferiu os versos do veterano Ivan Junqueira, ex-presidente da Academia Brasileira de Letras e autor de O Outro Lado (Record), resultado de seu exercício literário realizado entre 1998 e 2006, uma poesia reflexiva e questionadora. Já o meticuloso trabalho de Laurentino Gomes garantiu a 1808 (Planeta do Brasil) o Jabuti de reportagem. E o belo trabalho de Marco Antônio de Carvalho, Rubem Braga - Um Cigano Fazendeiro do Ar (Globo), pesquisa de mais de uma década e resultado de 270 entrevistas, foi eleito o melhor livro de biografia.