Cresce número de usuários de planos privados de saúde

- O Estado de S.Paulo

A aposentada Olga Martins Teixeira, de 66 anos, recebe mensalmente cerca de R$ 660. Para pagar as despesas da casa, conta também com a pensão da mãe de 87 anos: R$ 440. As duas gastam juntas com plano de saúde cerca de R$ 480, quase metade do que recebem. Sem contar despesas com remédios (R$ 200). "Sou hipertensa e minha mãe precisa de remédios para fraturas que sofreu", conta. Sobra pouco para despesas como aluguel e alimentação. Por isso, Olga precisou voltar ao mercado e hoje trabalha como secretária. "Sem uma complementação, é impossível pagar as despesas." Olga está entre os 18,5% da população que, em 2005, tinha plano de saúde, segundo o IBGE. Em 2007, a cobertura chegou a 20%, pelos dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Em junho de 2005, os 34 milhões de associados estavam vinculados a 1.260 operadoras. A maior taxa de cobertura foi registrada em São Paulo (35,7% da população), e a menor, em Roraima (2,3%). Entre 2000 e 2005, o número de operadoras de planos médico-hospitalares caiu 16,3%, mas o total de beneficiários cresceu 11%. A receita das operadoras passou de R$ 21,8 bilhões para R$ 36,4 bilhões entre 2000 e 2005, alta de 67,3%, em termos nominais. A pesquisadora da Fiocruz Angélica Borges dos Santos, que colaborou com o IBGE, disse que ter plano de saúde "virou uma questão de status" no País. "Saúde não é bem de consumo, ela deve ser pautada pela necessidade." Para a pesquisadora Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio, o SUS não atingiu a meta de ser universal: "Quem pode pagar tem acesso a medicamentos de ponta. É um padrão que impede a melhoria de indicadores."