Costureiras High Tech

Vera Fiori - O Estado de S.Paulo

A rede social de moda byMK permite que a mulher vá às compras sem desembolsar um tostão. Duvida?

Quem não se lembra daquela divertida brincadeira de infância de vestir bonecas de papelão com roupas recortáveis, as populares "paper dolls"? Os almanaques e revistas nacionais com as figurinhas de papel sumiram de circulação, mas quem quiser matar saudade é só entrar na rede social byMK (www.bymk.com.br) – uma espécie de Orkut da moda – e montar seus próprios looks. Funciona assim: você cria uma conta, captura imagens de roupas e acessórios da internet, segue o passo a passo muito bem explicadinho e exercita seu lado fashionista. Outra opção é abrir o "closet virtual" e servir-se do acervo, que conta com 400 mil itens, entre vestidos, blusas, calças, bolsas, saias, sapatos, pulseiras, óculos de sol, brincos, perfumes e maquiagem. Mas, se preferir, pode dar só uma espiadinha, curtir os looks e comentar.

 

O site, criado de forma despretensiosa pelos ex-executivos de TI (tecnologia da informação) Flávio Pripas e Renato Steinberg, virou febre na internet. Afinal, quem, hoje em dia, não gosta de moda? O melhor da brincadeira é "bater perna" nas melhores grifes, escolher roupas e acessórios caríssimos, sem estourar o cartão de crédito. Além de soltarem a criatividade, as costureiras high tech fazem amizades, criam grupos de discussão de acordo com suas preferências e participam de encontros animados.

 

Flávio e Renato não são estilistas nem empresários de moda. Vieram da área de TI de bancos de investimentos. Mas, em parceria com suas mulheres, Marcela e Karen, respectivamente – ambas administradoras de empresas e apaixonadas por moda –, decidiram apostar num projeto familiar. "A ideia inicial de Marcela era abrir uma loja, mas como o investimento é alto, pensamos em algum projeto que unisse moda e tecnologia. Colocamos o site no ar em agosto de 2008. A divulgação foi na base do boca a boca, e as visitas cresceram sem parar", fala Flávio.

 

No começo deste ano, segundo Renato, começaram a pipocar eventos sobre mídias sociais, e os amigos decidiram se dedicar integralmente ao novo negócio. "Não ganhamos o mesmo que nos empregos anteriores, mas é menos estressante e bem mais divertido", comentam. O ganha pão vem da comercialização de espaço publicitário. Só que, até mesmo a forma de as empresas anunciantes evidenciarem seus produtos, é diferenciada. "Nas várias páginas do site, os visitantes vão ver, sempre na lateral esquerda da tela, uma roupa ou acessório de uma loja, com várias sugestões de uso, tornando o objeto muito mais atraente", fala Flávio.

 

O conteúdo do byMK (iniciais de Marcela e Karen) é criado pelos internautas, por meio do editor de looks (área de trabalho na qual os itens são arrastados e colocados para a montagem de composições). As roupas, calçados e acessórios disponíveis no site são fornecidos a partir de parcerias entre grifes e o byMK, ou são importados pela ferramenta de captura disponível aos usuários. Quanto ao uso de imagens de peças de grifes, Flávio e Renato explicam que, ao se clicar em uma roupa ou acessório, é possível ver o site de origem. Para as marcas, é interessante perceber como as pessoas que não são da área de moda interpretam suas criações.

 

Enquanto Flavio e Renato cuidam da infraestrutura do site, Marcela e Karen atuam como moderadoras: "alimentam" o blog byMK, tiram dúvidas de visitantes, organizam encontros. Também coordenam parcerias com lojas, como a que foi feita com a H. Stern, que lançou o blog "adoro joias", no qual os internautas podem montar looks, combinando peças de roupas e joias da marca.

 

Entre os visitantes do byMK, predominam mulheres (96%), sobretudo das classes A e B, e com idades entre 20 e 40 anos. A visitação é de 320 mil pessoas por mês, e há 40 mil cadastradas no blog.

 

SEGUIDORAS

 

Telma Guedes é relações públicas, já trabalhou com teatro, cinema, vídeo, shows e como produtora cultural. Há oito meses, descobriu o site byMK e, desde então, tem criado vários looks. "As produções refletem um pouco do que eu gostaria de ser, e também um pouco de como faria editoriais de moda." Entre as suas criações favoritas, menciona o look "elegância despojada". A experiência, diz, é um exercício lúdico que desafia a criatividade, já que uma mesma peça pode ter várias interpretações. "É como se fosse um miniprojeto de moda", fala Telma, que, na vida real, cria acessórios como broches e brincos com uma pitada vintage.

 

"O site também propicia criar novas amizades, e é uma oportunidade de alavancar negócios, ampliar a rede de contatos", opina Telma. O mais bacana, segundo ela, é que o byMK não foi criado para profissionais de moda e, talvez por isso mesmo, acaba atraindo um público curioso, antenado e que adora interagir. "É gostoso receber comentários. Algumas dizem que aprenderam a misturar estampas comigo."

 

A professora de inglês Cristiane Borrego estava navegando nos blogs de moda quando descobriu o site. "Tem gente que joga paciência. Eu crio looks", brinca. Ao pesquisar as peças, segundo ela, aprende-se a apurar o gosto e a treinar o olhar para a moda. "Quanto mais acompanhamos as tendências, mais aprendemos sobre os estilistas. Só de bater o olho numa bolsa, já sei a grife!" Seus looks, ora seguem o estilo clássico, com grifes como Chanel, Dior e Balenciaga, ora são mais despojados, combinando jeans, camiseta e tênis. Além do ganho do conhecimento, Cristiane fez muitas amizades. "Participamos de encontros, quando o assunto, claro, é moda."