Conselho pode rever registro de médico

Fabiane Leite - O Estado de S.Paulo

Cremesp havia decidido manter direito de Abdelmassih de clinicar

O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) poderá reavaliar a suspensão do registro de médico do especialista em reprodução assistida Roger Abdelmassih. O órgão, responsável por regular a atividade médica no Estado, havia negado pedido de suspensão no último dia 7 de agosto. Porém, a vice-presidência do conselho informou ontem que, se existirem fatos novos na denúncia do Ministério Público e na ordem de prisão expedida pela Justiça de São Paulo, poderá voltar ao tema. O Cremesp ainda não tinha conseguido acesso aos documentos até o fim da tarde de ontem. Abdelmassih responde atualmente a 51 processos ético-profissionais no conselho, cada um referente a uma das supostas vítimas dos crimes sexuais que é acusado de cometer. Todos foram abertos no último dia 7, na mesma data em que a suspensão foi negada. O conselho não concedeu entrevista. "Lamentamos, mas como foram levantadas uma série de questões contra o colega, elas têm de ser investigadas pelo conselho e no âmbito da Justiça", comentou ontem, sobre a prisão, o presidente da Associação Paulista de Medicina, Jorge Curi. "Mas é importante destacar que, como qualquer cidadão, ele não pode ser considerado culpado antes do fim do processo, então esperamos que ele tenha todo o direito à defesa", continuou. Também o presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, Waldemar Naves do Amaral, lamentou a prisão. "Ele é um dos nossos 3.700 associados e, do ponto de vista científico, não há nada contra ele. As questões publicadas nos jornais tratam de questões éticas que cabem ao conselho de medicina", afirmou. "Ficamos espantados e perplexos com todas essas acusações. É uma pena que tudo tenha se encaminhado para este sentido. É ruim para a sociedade em geral, ruim para todo o mundo", afirmou. VÍTIMA A empresária Ivanilde Serebrenic, de 41 anos, que afirma ser vítima do médico, diz ter recebido a notícia da prisão do especialista com alívio. "Se ele vai ficar preso ou não vai, não importa. Para mim já é o suficiente. Como não escondi minha identidade, em todos os lugares tenho de responder sobre se era verdade", afirmou a empresária. "A prisão é prova da credibilidade da Justiça e do Ministério Público. Sempre acreditei na seriedade dos promotores", continuou. "Tenho marido, filhos, eles têm amigos. Ninguém vai se expor se não for verdade."