Compra de 31 mil notebooks faz Assembleia pedir investigação

- O Estado de S.Paulo

Deputados vão ao MPE porque recursos usados na compra vieram do Fundo de Combate à Pobreza

A decisão de investir em tecnologia na educação levou o governo estadual a grandes volumes de compras de equipamentos. Os altos valores dos contratos chamaram a atenção da Assembleia Legislativa (Alerj), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e do Ministério Público Estadual (MPE). A principal controvérsia é a compra de 31 mil notebooks para professores em dezembro de 2007. Custaram R$ 59 milhões (R$ 1,9 mil cada), sem um desconto substancial em relação ao preço de mercado para compra expressiva. A comissão de educação da Alerj fez uma representação ao MPE por causa da origem dos recursos: o Fundo de Combate à Pobreza. "Achamos que laptop não é exatamente uma forma de combate direto à pobreza", afirmou o presidente da comissão, deputado Comte Bittencourt (PPS). A empresa que forneceu os notebooks, cujo controlador tem relações pessoais com aliados do governador Sérgio Cabral (PMDB), recebeu o pagamento menos de 20 dias depois do pregão eletrônico. "É uma velocidade inédita", diz o deputado. A empresa, Investiplan, também faz parte do consórcio que venceu a seleção para equipar as salas com computadores. "Fizemos um pregão usando o mesmo sistema do Banco do Brasil", diz a secretária Tereza Porto. O MPE abriu investigação, mas não informou o estágio atual. O TCE abriu processo após inspeção na execução de contratos da Secretaria de Educação, mas diz que ainda aguarda a defesa da secretaria.