Chega de se esconder

Agencia Estado - O Estado de S.Paulo

Ela faz muito teen passar um ?carão?. A acne e suas terríveis marcas tiram o sono de quem chega à puberdade, prejudicando não apenas a pele, mas também a cabeça desses adolescentes. A auto-estima quase sempre desmorona, assim como a vida social. A boa notícia é que, apesar de assustador, o monstro não é invencível. Hoje, a acne - que inclui as espinhas, os cravos, cistos e caroços - tem opções variadas de tratamento. Quando feitas sob orientação médica, no tempo certo, acabam com as feridas sem deixar as temidas e irreversíveis seqüelas na pele. Depois de muitos anos jogando a culpa nos alimentos ricos em gordura, como o chocolate, os dermatologistas descobriram que a causa da acne é outra. Uma bactéria (propionibacterium acnes) presente na derme de todo ser humano se alimenta da oleosidade produzida pelas glândulas sebáceas e, quando o organismo tenta acabar com o banquete, aparecem as feridas. ?Algumas pessoas são geneticamente mais vulneráveis à ação dessas bactérias. Por isso, desenvolvem a acne?, explica o dermatologista Jayme Oliveira Filho, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. A tendência à pele acneica é, assim, hereditária - passa de pai para filho. Outra Causa do problema vem de alguns medicamentos. ?Os remédios com corticóides podem ser responsáveis pela acne?, explica o cirurgião plástico Lecy Marcondes Cabral, diretor da Clínica Integrada de Cirurgia Plástica São Paulo. ?Além deles, tudo o que contém hormônios, como testosterona, estrógeno ou progesterona, pode ocasionar o problema. Fórmulas de vitaminas ricas em complexo B são outra razão para o surgimento das espinhas.? Durante a infância, as glândulas sebáceas não produzem sebo. No entanto, na puberdade, elas entram em ação, induzidas pelo surgimento dos hormônios feminino (estrógeno) e masculino (andrógeno). Fabricam sebo demais, para a alegria das bactérias. Nas meninas, a acne é mais freqüente a partir dos 12 ou 13 anos. Nos meninos, a partir dos 14 ou 15. A maioria dos casos se resolve espontaneamente lá pelos 20 anos. Mas há quem continue apresentando os sintomas até os 35. Para evitar marcas profundas no rosto, é necessário que o tratamento comece cedo. ?Quanto mais tarde, mais difícil é a cura. Pense em uma escada: é melhor eliminar o problema no 3º degrau do que no 10º?, diz Oliveira Filho. Espremer as feridas só piora o quadro, alerta o especialista, assim como usar produtos caseiros ou desconhecidos. O método ideal deve ser indicado por um dermatologista. A Isotretinoina (medicamento ministrado por via oral, que breca a oleosidade) ainda é um dos tratamentos mais eficazes, segundo o médico, mas requer cuidado e controle rígido. ?Ele tem a fama de ser um remédio perigoso porque é vetado para gestantes. Deixa os lábios secos e a pele ressecada. Precisa ser usado com orientação médica. Mas, em 80% dos casos, reduz drasticamente as espinhas dentro de seis meses.? Também existem cremes que diminuem a produção de sebo pelas glândulas sebáceas. A opção por um dos dois métodos é determinada pelo médico, após avaliação criteriosa das lesões. Quando a pele já apresenta escaras e manchas causadas pela acne, os peelings são o tratamento mais procurado, inclusive os feitos com a ajuda do laser. A terapia fotodinâmica é a associação do ácido aminolevulínico com uma fonte de luz, o laser. Ele identifica os poros onde estão as bactérias e as destrói. ?O tratamento dura oito sessões. O paciente não precisa ficar longe do sol, mas tem de usar um protetor solar durante o dia?, diz Cabral.