Caminho aberto

Virna Wulkan/ESPECIAL PARA O SF - O Estado de S.Paulo

Elas herdaram o gosto pela moda e pelos negócios e lançaram grifes de destaque nesse mercado

São bem nascidas, jovens e empreendedoras. Algumas cresceram em meio a cortes de tecido, estilistas, costureiras e referências de moda. Ou, melhor ainda, dentro de negócios já bem sucedidos e estruturados nesse ramo.

 

Outras tiveram boa formação, orientações precisas e o que é fundamental, um empurrão financeiro. Mas isso não tira o mérito de meninas que souberam aproveitar as oportunidades para transformar seus planos pessoais em marcas que hoje são referências no mercado de moda.

 

Saiba um pouco sobre essas empresárias da moda.

 

 

Carina Duek

Ela é filha de um dos maiores estilistas do Brasil, Tufi Duek, cuja grife Forum continua no mercado, mas da qual ele já não faz mais parte. É certo, porém, que Carina herdou dele algo precioso: o olhar apurado para criar roupas de muito bom gosto. Não é à toa que sua grife está crescendo rapidamente, de uma loja inaugurada em 2009 para cinco que serão abertas no primeiro semestre de 2011.

 

Quando e como descobriu que queria atuar na área de moda?

 

A minha convivência com meus pais estilistas sempre foi uma inspiração para mim e, de certa forma, foi uma influência na hora de escolher minha profissão. Segui o conselho dos meus pais e fui para Londres estudar, para ver se realmente era isso o que eu queria.

 

Sente dificuldades no mercado?

 

Quando você procura ter um produto de qualidade e design, você enfrenta várias dificuldades. A busca pela melhor mão de obra e fornecedores é difícil, e demanda cuidado, tempo e dinheiro. Mas, com bons parceiros, consigo ter o produto de qualidade, com custos honestos para o consumidor final.

 

O que a cliente espera encontrar na grife?

 

Uma roupa que ela possa usar dia e noite e que reflita sua personalidade. Diante da minha coleção, desejo que ela se sinta em seu próprio closet, sempre com novidades, shapes, cores.

 

Tem alguma grife ou estilista que seja referência para você?

 

Há muitos estilistas que admiro, mas Chanel – e a continuação do trabalho na Maison por Largerfeld – acho impecável.

 

Onde busca inspirações?

 

Sempre de fontes que fazem parte do meu universo: música, artes, cinema, brechós.

 

Carina Duek, 32 anos, dona da grife que leva seu nome.

 

 

 

 

 

Erika dos Mares Guia

 

Ela é mineira, de família tradicional na política do seu estado. É também quase uma celebridade na high society local. No ano passado, resolveu vir para São Paulo, com o objetivo de expandir os negócios da família e trazer um pouco do seu know how na moda.

 

Quando entrou efetivamente no mercado profissional?

 

Comecei aos 17 anos, estagiando na fábrica da minha mãe, que pertencia ao Grupo Mineiro de Moda. Passei por todos os setores da empresa, da produção ao showroom. E o curso de Administração, área na qual me graduei, foi importante.

 

Como nasceu a M&Guia?

 

Com a mudança no cenário econômico do Brasil, resolvemos abrir uma marca de varejo, e propus misturarmos marcas locais com grifes internacionais. Pedimos um empréstimo para a obra, fizemos um planejamento, compramos a mercadoria a prazo e começamos a vender.

 

Como é a cliente da grife?

 

É uma mulher antenada, que consome informação de moda, gosta de peças estilosas, mas, ao mesmo tempo, valoriza a durabilidade e a qualidade.

 

Quais as referências para seu trabalho?

 

Admiro estilistas como Christophe Decarnin, Tom Ford, Nicolas Ghesquiére, que tiveram a capacidade de renovar marcas. Adoro o trabalho do Aläia também. Balmain hoje é uma marca que tem influenciado muito a moda. Busco ainda inspiração nas ruas, nas pessoas, na arte, devoro livros e revistas.

 

Erika dos Mares Guia, 38 anos, da grife M&Guia.

 

 

 

 

Fabiana Justus

Difícil falar dela sem associá-la ao pai, Roberto Justos. Em seu DNA, duas características são evidentes: o carisma e a capacidade empresarial. Não é à toa que sua loja é parada obrigatória para meninas descoladas da cidade e, com menos de um ano de existência, já está se expandindo para uma segunda unidade.

 

Quando e como descobriu que queria trabalhar com moda?

 

Sempre amei moda, mas como um hobby. Logo depois de me formar em Comunicação Social, passei o verão em Nova York estudando moda na FIT e, quando voltei, resolvi fazer uma pós-graduação em negócios de moda e varejo. Então, comecei a trabalhar no ramo, primeiro na grife Ricardo Almeida, depois na Iódice.

 

Como foi o planejamento, antes de se lançar no mercado? Teve ajuda familiar?

 

Associei-me a pessoas do mercado que têm bastante experiência e com quem tive muita afinidade. Montamos um business plan, e aperfeiçoamos o conceito. Fizemos uma apresentação para o meu pai e para uma das minhas sócias, e eles nos emprestaram capital para começar o negócio. E nos ajudaram a afinar o projeto. Temos um plano de pagamento para devolver tudo a eles.

 

Há alguma grife ou estilista que tenha sido uma influência?

 

Não nos baseamos somente em estilistas, mas também em comportamento, lifestyle, na moda de rua, cinema, seriados, livros, exposições, shows, artistas, personalidades, enfim, tudo o que está fazendo sucesso mundialmente tem que ser traduzido para os produtos da Pop Up Store. Uma loja que temos como referência em termos de ambiente e personalidade é a americana Urban Outfitters.

 

Fabiana Justus, 24 anos, dona da Pop Up Store

 

 

 

 

Luciana e Marcella Tranchesi

 

Elas são crias da Daslu, e filhas de Eliana Tranchesi, dona da grife. E estão por trás, junto com o irmão e mais uma sócia, de uma marca badalada e criativa.

 

Diferentemente do produto elitizado produzido pela grife-mãe, a 284 quer ser uma marca de fast fashion, daquelas que vendem as últimas tendências de moda a preços acessíveis (mas não muito!) Quem responde à entrevista é Luciana (a morena da foto acima).

 

Como foi o planejamento, antes de se lançar no mercado?

 

Temos o privilégio de contar com uma mãe que sabe tudo o que precisa para administrar um negócio nessa área. Então, tivemos muita ajuda dela, mas nós seguimos bastante as nossas próprias opiniões e conhecimentos. O Dinho, meu irmão, teve um grande papel no desenvolvimento do projeto.

 

Quais as dificuldades para viabilizar o negócio?

 

Eu não diria dificuldades, mas sim desafios. O dia a dia é um desafio quando se abre o primeiro negócio, mas soubemos ultrapassar todos eles.

 

Como é a cliente da grife?

 

A 284 tem roupa para todos os tipos de clientes. A nossa intenção é suprir todos os estilos e fazer coleções abrangentes dentro do que acreditamos ser bacana.

 

O que essa cliente espera encontrar na loja?

 

Diversidade e muita novidade nas prateleiras sempre!

 

Onde vocês buscam inspirações para criar as coleções da grife 284?

 

Nas ruas, nas passarelas, no dia a dia, na vontade das clientes e, principalmente, no trabalho da nossa equipe de criação, que é eclética, cada uma tem um estilo. Essa mistura gera inspiração!

 

Luciana e Marcella Tranchesi, de 21 e 18 anos, sócias da 284.